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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

26/05/2009 10:44

Empresa derruba área preservada para obra de drenagem

Redação

O Siems (Sindicato de Enfermagem de Mato Grosso do Sul) denunciou a derrubada de árvores de uma APP (Área de Preservação Permanente), localizada na rua João Marcondes, no bairro Campo Belo, em Campo Grande.

Segundo a entidade, que usa o espaço há nove anos como área de lazer dos associados, não foi encaminhada qualquer notificação sobre a derrubada de árvores.

A presidente do Siems, Helena Delgado, de 37 anos, reclama que a diretoria da entidade não foi, sequer, comunicada sobre a obra. "Eles nem comunicaram nada, simplesmente entraram e desmataram", garante.

No local, as máquinas destruíram a cerca da propriedade, derrubaram a vegetação nativa de cerca de um hectare e abriram espaço para a drenagem da área.

O caseiro, que cuida da propriedade do sindicato há sete anos, Lúcio Vieira, de 51 anos, conta que as obras começaram na semana passada. "Já foram chegando e metendo a máquina. Não pude fazer nada", diz. Ao sindicato, ele informou que a empresa chegou ao local e disse que já estava tudo 'acertado'.

A mata derrubada, afirma Lúcio, era formada por vegetação nativa. "Isso aqui era a coisa mais linda, tudo fechado. Tinha cada angico...", lembra. Das árvores, não sobraram nem a madeira, que também foi retirada do local.

"Eles deixaram empilhado, e depois encostou um caminhão aí pra buscar", conta Lúcio. Ele garante que os funcionários venderam a madeira extraída a uma empresa que fabrica tijolos no município de Terenos.

Para a responsável pela área, Helena Delgado, além da revolta por não ter sido comunicada da derrubada de árvores, o caso é 'crime ambiental' e 'invasão de propriedade'.

Ela explica que quando o sindicato comprou a propriedade de dois hectares, um deles já era área de preservação permanente. "A gente preserva a área, eles vão e passam a patrola em cima", reclama.

A entidade informou que já notificou órgãos municipais responsáveis, irá fazer boletim de ocorrência pela invasão, e ainda entrar com pedido de liminar para que a obra no local seja suspensa. "Vamos entrar também com uma ação indenizatória e queremos o reflorestamento da área", afirma indignada.

"Mal necessário" - Procurado pela reportagem do Campo Grande , o engenheiro da Equipe Engenharia, que se identificou apenas como Carlos Augusto, garantiu que a empresa já possuía licença e as autorizações necessárias para as obras na área. "A Prefeitura foi quem autorizou a fazer a entrada no local", afirma.

O engenheiro explica que o projeto, que já havia sido aprovado, é necessário para proteger uma mata com nascente de propriedade do Exército Brasileiro, que fica próximo ao local.

"Estamos fazendo uma drenagem e circundando a mata", diz. O motivo, segundo Carlos, é impedir que a água que desce do bairro provoque enxurradas.

Ele garante, ainda, que o trabalho de comunicar os proprietários é feito pela administração municipal. "Houve um acordo em que as pessoas fariam a doação da área pela benfeitoria da pista. Quem não concordasse seria desapropriado", informa.

A prefeitura de Campo Grande solicitou um tempo para levantar a real situação da propriedade e o licenciamento da obra.

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