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Campo Grande, Sábado, 16 de Dezembro de 2017

26/01/2016 15:45

Bebê prematuro morre após mãe retirar sonda e ir para um pagode

Pai da criança foi autuado ainda por tráfico de drogas, após a polícia encontrar cocaína em sua casa

Mariana Rodrigues
Na casa a Polícia encontrou 143 papelotes de pasta base de cocaína. (Foto: Ricardo Albertoni/Diário Corumbaense)Na casa a Polícia encontrou 143 papelotes de pasta base de cocaína. (Foto: Ricardo Albertoni/Diário Corumbaense)

Lorraine Guimarães Torres, 18 anos, foi autuada por homicídio doloso após ter provocado a morte da filha prematura, de pouco mais de um mês de vida, ao retirar a sonda que alimentava o bebê para ir até uma casa de pagode. A mãe estava com sintomas de embriaguez quando chegou com o corpo da criança até um comércio localizado no bairro Ceverjaria, em Corumbá, distante 419 km de Campo Grande.

O fato ocorreu na noite de domingo (24), mas a polícia só foi informada na segunda-feira (25) pela manhã, quando a mulher, completamente embriagada, saiu com a criança morta perambulando pelas ruas e buscou ajuda em uma lanchonete. Ela deixou o corpo do bebê em cima do freezer do comércio e foi denunciada por um moto-taxista.

De acordo com o site Diário Corumbaense, a delegada que atendeu o caso, Paula Ribeiro disse que, conforme relatos da mãe da criança, quem teria matado o bebê seria o pai, identificado como Gilson Gonçalves, 20 anos. Ela afirmou ainda que o homem estava em casa com uma arma de fogo e que era traficante.

Ainda de acordo com a delegada, a criança nasceu no dia 12 de dezembro, mas a mãe não soube dizer a data exata que tirou a criança do hospital. "A própria mãe afirmou que foi orientada por mais de um médico de que ela não poderia retirar a criança do hospital, pois ela correria risco de morrer e precisava ser alimentada por sonda".

A criança foi encaminhada para exame necroscópico, onde posteriormente foi constatado que a menina morreu asfixiada com o próprio vômito. Isso ocorreu porque ela, com pouco mais de um mês de vida e prematura, ainda não tinha capacidade de deglutição, não poderia ser alimentada, a não ser pela sonda. No entanto, a sonda não estava com o bebê e foi encontrada dentro da bolsa que Lorraine levou para ir a uma casa de pagode quando a criança morreu.

Equipes policiais foram até a casa de Lorraine, quando vizinhos relataram que na noite de domingo (24), a autora queria ir para uma festa. Ela retirou a sonda do bebê e o levou até a casa de uma vizinha e pediu para ela cuidar da menina dizendo que iria a um aniversário. Lorraine deixou a criança lá e foi para o pagode. Quando retornou, já encontrou a filha morta. Os vizinhos informaram ainda que perceberam que o bebê tinha hidrocefalia (acúmulo anormal de líquido no crânio), pelo volume do cérebro, pois a cabeça dela era grande e o bebê parecia não estar totalmente formado.

Segundo a delegada, tanto Lorraine quanto Gilson, pai da criança, dormiram ao lado do corpo do bebê. Ontem (25), ela acordou e, por volta das 09h, resolveu andar pela cidade, segundo ela, para pedir ajuda porque ela não sabia o que fazer. Gilson falou em interrogatório que enquanto a mãe saiu com o corpo da criança até chegar à lanchonete, ele estava assistindo a um jogo de futebol pela TV e foi interrompido pela chegada da polícia.

Tráfico de drogas - Ainda no momento em que as equipes policiais foram até a casa da mãe e do pai da criança em busca da suposta arma que, segundo Lorraine ele portava, os policiais viram Elton Gonçalves, irmão de Gilson, arremessar um pacote pela janela. Esse pacote foi recuperado e tratava-se de fraldas contendo 143 papelotes de pasta base de cocaína. Gilson assumiu ser o dono da droga, embora o irmão dele tivesse dispensado o entorpecente.

“Ele afirmou que a droga era dele, que compra a droga na Bolívia e que ele mesmo embala e comercializa como meio de sustento, já que nem ele, nem o irmão Elton trabalham”, afirmou a delegada. Gilson e a Lorraine, pais da criança, acompanharam as buscas na casa e nenhuma arma de fogo foi encontrada.

Gilson Gonçalves foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e participação na morte da menina. Lorraine foi autuada por homicídio doloso porque assumiu o risco de produzir o resultado da ação, já que foi orientada mais de uma vez a não retirar o bebê do hospital e a alimentá-lo pela sonda. No entanto, ela não procurou o hospital quando a criança perdeu a sonda, a submeteu a vários riscos que poderiam levá-la à morte, e de fato retirou a sonda, encontrada dentro da bolsa que ela havia levado para ir a uma casa de pagode quando a criança morreu.

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