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Interior

Bebedeira e discussão banal antecederam feminicídio

Interrogado, homem alega que matou esposa a tiros na frente dos filhos após ser provocado

Por Dayene Paz | 24/05/2022 08:26
Erica Miranda sorri para foto com um dos filhos. (Foto: Arquivo pessoal)
Erica Miranda sorri para foto com um dos filhos. (Foto: Arquivo pessoal)

Bebedeira e brincadeira com uma arma de fogo antecederam a discussão que terminou no assassinato de Erica Miranda de Souza, de 27 anos, no domingo (22), em Terenos, a 25 quilômetros de Campo Grande. O relato foi dado pelo próprio assassino, Diogo Cardoso de Souza, de 28 anos, marido de Erica. Ele foi preso nesta segunda-feira (23) em Paranaíba, quando tentava fugir para Minas Gerais.

Em mais de uma hora de interrogatório para a delegada Eva Maira Cogo, titular da DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher) de Paranaíba, Diogo contou sobre os momentos que antecederam o crime, confessando que tudo foi motivado por uma discussão banal após bebedeira.

Diogo conta que estava com Erica há quatro anos e se separaram cerca de dez vezes. Moraram em Dois Irmãos do Buriti, depois ficaram sete meses em uma fazenda de Sidrolândia, até seguirem para Terenos, onde moravam em uma chácara há aproximadamente seis meses, com o enteado de nove anos e o filho do casal, de dois.

Dia do crime - No dia do crime, afirma ter trabalhado com o patrão e ganhou 15 latas de cerveja. Ao chegar em casa, começou assar carne e passou a beber com a esposa. A bebida acabou e então Erica sugeriu que tomassem mais.

Diogo foi até a sede da fazenda e pegou mais 15 latas de cervejas, aproveitando também para pegar um revólver, segundo ele, que usava no local de vez em quando por causa de animais que apareciam com frequência e para matar porcos do mato. "Tomaram 30 latas de cerveja e chegaram a brincar com a arma do patrão dele, uma calibre 22. Ele conta que dispararam em latinhas de cerveja", revela a delegada.

Em determinado momento, Diogo alega que Erica "jogou na cara" que ele ficou com uma amiga dela - história que começou em dezembro do ano passado. Ele negava, mas a vítima não acreditava, segundo depoimento. A discussão continuou até que Erica entrou no quarto, sentou na cama e teria dito: "Atira, você não é homem". Foi quando Diogo efetuou os disparos.

O homem descreveu que a cama do casal ficava ao lado da beliche das crianças, de 2 e 9 anos. "A criança mais velha estava na cama na parte de cima e a mais nova embaixo". A criança de 9 anos presenciou a cena e chegou a questionar se também seria morta. "Ele [Diogo] respondeu que não, que era criança e não tinha nada a ver com aquilo. O menino mais novo acordou com a situação e começou a chorar", afirma a delegada.

"Arrependido do crime" - Eva Maira revela que Diogo se emocionou por alguns momentos do interrogatório e se disse arrependido. Afirmou que sempre andava armado com uma faca e durante as discussões, nunca se exaltou. "Disse que fez por estar com arma, pela facilidade de apertar o gatilho. Ele confirma que a arma de fogo foi determinante, caso contrário, não teria feito."

O delegado Antenor Batista, de Terenos, que irá prosseguir com a investigação, confirmou que a criança mais velha foi entregue ao pai e a mais nova, filha do casal, para a avó materna. Depois de ser ouvido em Paranaíba, Diogo foi levado para a delegacia de Terenos e deve passar por audiência de custódia nesta terça-feira (24).

O velório de Erica acontece nesta terça-feira, na casa da família em Dois Irmãos do Buriti. Haverá um cortejo às 9 horas até o cemitério municipal, onde o corpo será sepultado.

Diogo durante prisão em rodovia. (Foto: Divulgação)
Diogo durante prisão em rodovia. (Foto: Divulgação)

Crime e fuga - Erica foi morta por volta das 23h30 de domingo (22). Após atirar contra a esposa, Diogo teria mandado os filhos dormirem com a mãe e, no dia seguinte, pedir ajuda a algum vizinho.

Por volta das 3h, o filho mais velho saiu de casa e andou mais de 2 quilômetros para pedir ajuda a um vizinho e só chegou de volta pela manhã, enquanto a criança de 2 anos dormia sobre o corpo da mãe.

Após o crime, Diogo entrou na casa do patrão, bebeu cerca de 40 latas de cerveja e fugiu. Ele pediu ajuda em outra chácara vizinha para chegar a Campo Grande. Dizia que o pai havia sido morto e precisava chegar a Belo Horizonte (MG). Ele então foi deixado no Aeroporto Internacional e já na Capital, propôs pagar R$ 3 mil motorista de aplicativo para leva-lo até a capital mineira.

Policiais militares rodoviários e do GOI (Grupo de Operações e Investigações) conseguiram prendê-lo, contudo, na tarde desta segunda-feira (23), na MS-240, entre as cidades de Água Clara e Paranaíba.

Medida protetiva - Erica já tinha procurado a polícia e registrou boletim de ocorrência contra o companheiro. Havia, inclusive, pedido medida protetiva. Em uma das ocasiões, Diogo a ameaçou de morte e em outra, queimou as roupas da mulher.

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