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Ex-gerente de banco é investigado por desviar R$ 208 mil em empréstimos

Instituição pediu bloqueio de bens do suspeito, mas Justiça encontrou apenas R$ 173,00

Por Lucia Morel | 09/10/2026 06:32
Ex-gerente de banco é investigado por desviar R$ 208 mil em empréstimos
Agência do Banco Bradesco no Centro, na cidade de Nova Andradina. (Foto: Reprodução Google Maps/Foto melhorada com Inteligência Artificial)

Ex-gerente do Banco Bradesco de Nova Andradina é investigado por desviar R$ 208,8 mil da instituição por meio de empréstimos fraudulentos e outras operações realizadas em nome de uma empresa que mantinha conta-corrente na agência, localizada no Centro.

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Ex-gerente do Bradesco de Nova Andradina é investigado por estelionato por desviar R$ 208,8 mil de uma empresa cliente, com empréstimos fraudulentos feitos entre julho e novembro de 2024. Ele confessou o crime e disse querer acordo de não persecução penal. O banco pediu o bloqueio de bens, mas a Justiça localizou apenas R$ 173. A fraude foi descoberta pela análise dos acessos ao celular do investigado, e o inquérito foi aberto em agosto de 2025.

O ex-funcionário trabalhou durante 7 anos no banco e chegou ao cargo de gerente de contas de pessoas jurídicas. O caso é investigado como estelionato e, além do inquérito policial, a instituição acionou a Justiça para tentar bloquear bens do investigado e recuperar o dinheiro, mas encontrou apenas R$ 173,00.

Conforme o pedido apresentado à Justiça, o ex-gerente teria se aproveitado do cargo para contratar empréstimos em nome de uma empresa cuja conta estava sem movimentação havia alguns anos. Depois que a fraude foi descoberta, o titular informou que acreditava, inclusive, que a conta já havia sido encerrada.

Para realizar as operações, o ex-gerente alterou informações cadastrais do cliente, incluindo o número de telefone, substituído pelo seu próprio contato. Também cadastrou um dispositivo de segurança para autorizar as transações. Com isso, conseguiu contratar empréstimos e movimentar os valores depositados na conta, por meio de transferências e saques. Entre 8 de julho e 6 de novembro de 2024, os empréstimos fraudulentos somaram R$ 182,2 mil.

Prejuízo supera R$ 200 mil - Além dos empréstimos, o investigado teria utilizado R$ 23,9 mil do limite do cheque empresarial e feito gastos de R$ 2,7 mil no cartão de crédito vinculado à conta. Com isso, o prejuízo apontado pelo banco chegou a R$ 208,8 mil.

Na tentativa de recuperar o dinheiro, o Bradesco pediu à Justiça o bloqueio de bens do ex-funcionário. Realizada em setembro deste ano, a medida conseguiu apenas R$ 173,00.

Em depoimento à polícia, o ex-gerente confessou as operações fraudulentas, afirmou estar arrependido e manifestou interesse em um acordo de não persecução penal, que permite, em determinadas condições, encerrar a investigação sem a abertura de uma ação criminal.

Ele contou que já tinha muitas dívidas quando começou a trabalhar no banco e que os débitos aumentaram ao longo dos anos. Segundo seu relato, utilizou aproximadamente R$ 60 mil do primeiro empréstimo fraudulento para pagar contas. A intenção era continuar retirando dinheiro até fevereiro de 2025, mas, conforme declarou, "foi descoberto antes".

O caso está nas mãos do juiz Rodrigo Pedrini Marcos, da Vara do Juiz das Garantias, em Três Lagoas. Ele indeferiu outro pedido do banco para fazer buscas na residência do ex-gerente e o bloqueio de outros bens.

Após receber o resultado das buscas financeiras, a Justiça determinou que o Bradesco e o Ministério Público fossem comunicados. As intimações foram expedidas em 7 de outubro.

Descoberta da fraude - A investigação ganhou força depois que o banco analisou os registros de acesso às contas e identificou que o celular do ex-gerente havia sido utilizado para movimentar tanto a conta empresarial usada na fraude quanto contas de familiares. O rastreamento das operações mostrou acessos relacionados à conta pessoal do investigado e às de sua esposa, filha, mãe e cunhado.

Segundo os documentos apresentados à Justiça, os valores obtidos com as operações fraudulentas foram transferidos para contas da esposa e da filha do ex-gerente. A instituição reuniu registros de movimentações financeiras e informações de seus sistemas internos para demonstrar a ligação entre as transações e o aparelho utilizado pelo investigado.

O material foi encaminhado à Polícia Civil, que abriu inquérito em agosto de 2025. Durante as investigações, o ex-gerente foi ouvido na presença de advogado e confessou os fatos. Ele afirmou que os familiares não tinham conhecimento da fraude e que as contas eram movimentadas por meio de seu próprio celular.

Diante dessas informações, o delegado responsável dispensou os depoimentos da esposa e da filha, que tinha 6 anos na época. O relatório policial também destacou que a análise dos registros bancários confirmou a utilização do aparelho do investigado nas operações.

De praxe, o Banco Bradesco, por questão de sigilo bancário, não comenta processos em andamento.

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