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Interior

Genro de deputada será investigado por homicídio após acidente fatal em rio

Nivaldo Thiago Filho de Souza, de 36 anos, é apontado com o responsável pela morte de pescador

Por Anahi Zurutuza | 03/05/2021 16:34
Nivaldo Thiago Filho de Souza posa para foto em barco (Foto: Reprodução da redes sociais)
Nivaldo Thiago Filho de Souza posa para foto em barco (Foto: Reprodução da redes sociais)

Apontado como o responsável pela morte de pescador no Rio Miranda, em acidente no fim de semana, o servidor estadual comissionado, Nivaldo Thiago Filho de Souza, de 36 anos, será investigado por homicídio. O delegado Pedro Henrique Pillar Cunha, titular da Delegacia de Polícia de Miranda, ainda apura se classificará o crime como culposo (quanto não há a intenção de matar) ou se houve dolo eventual (quando alguém assume o risco de causar morte).

“Estou tento contato com todas as informações referentes aos fatos, oitivas, circunstâncias hoje e vou tocar as investigações daqui para frente. Vão ser realizada perícias, oitivas e com isso, a gente vai procurar analisar se tem elementos de um homicídio culposo ou até de um dolo eventual”, explicou.

As duas embarcações envolvidas no acidente que causou a morte de Carlos Américo Duarte, de 59 anos, serão periciadas. O delegado também quer ouvir além dos envolvidos na colisão, todas as testemunhas e policiais que tiveram contato com o caso.

Pedro Henrique Cunha preferiu não comentar sobre o porquê Nivaldo Thiago foi liberado após ser ouvido no sábado, dia 1º. “O acidente aconteceu no fim de semana e o delegado responsável pela deliberação foi um plantonista de outro município. Estou assumindo as investigações a partir de hoje”.

Tribunal Marítimo - Além da Polícia Civil, a Marinha investiga o acontecido. Por meio de nota, a Capitania Fluvial do Pantanal, do 6º Distrito Naval, informou que já fez levantamentos no local da ocorrência, curva próxima à região do Touro Morto, encontro dos rios Miranda e Aquidauana.

A investigação embasará processo que será encaminhado ao Tribunal Marítimo. “O procedimento sob a responsabilidade da Marinha destina-se a elucidar os fatos inerentes à navegação, por meio da coleta das provas necessárias para a apuração da causa determinante do acidente, bem como identificar os possíveis responsáveis. A apuração também identificará as infrações cometidas e irão compor o processo a ser encaminhado ao Tribunal Marítimo, órgão responsável por julgar os acidentes e fatos da navegação, com jurisdição em todo o território nacional”, informa o texto enviado por meio da assessora de imprensa.

Carlão, como era conhecido entre os amigos, pouco antes do acidente em foto tirada pelo filho (Foto: Arquivo de família)
Carlão, como era conhecido entre os amigos, pouco antes do acidente em foto tirada pelo filho (Foto: Arquivo de família)

O acidente – Carlos Duarte fazia parte de grupo de 24 pescadores que chegaram à Pousada Beira-Rio, em Miranda, na manhã de sábado. Por volta das 12h, ele saiu com o filho, Caê Duarte, de 33 anos, em barco conduzido por Rosivaldo Barboza de Lima, piloto profissional e funcionário do hotel.

Menos de meia hora após a partida, a embarcação onde estava o trio foi “atropelada” por lancha conduzida por Nivaldo Thiago. Carlão, como era conhecido entre os amigos, foi atingido em cheio pelo barco maior. Levou um golpe no peito, segundo testemunhas.

O condutor da lancha fugiu do local sem prestar os primeiros socorros. Danificado, o barco atingido estava prestes a afundar, mas o representante comercial, o pai e o piloto foram socorridos pelo grupo que chegou ao local minutos após a colisão.

Nivaldo desapareceu, mas após a PM (Polícia Militar) ser chamada e informar outras forças policiais, foi parado em posto da PRF (Polícia Rodoviária Federal) na BR-262. O condutor da lancha se recusou a fazer o teste do bafômetro, mas admitiu aos policiais ter tomado, na manhã de sábado, 4 garrafas de cerveja de 205 ml, conforme registrado em boletim de ocorrência. Testemunhas dizem o contrário, que logo após a colisão, o homem descartou embalagens de bebidas alcoólicas no rio.

O servidor público também não tem habilitação para conduzir embarcações, diferente dos pilotos contratos pelos turistas hospedados na Beira-Rio.

Consta no Portal da Transparência do Governo do Estado que Nivaldo Thiago Filho de Souza exerce cargo comissionado na Segov (Secretaria Estadual de Governo) com salário de R$ 15.888,47. O Campo Grande News apurou que o genro da deputada Mara Caseiro está na função desde 2015. A reportagem também tentou contato com a parlamentar para saber se Nivaldo gostaria de contar a sua versão dos acontecimentos, mas ela não atendeu às ligações.

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