Isolados com fechamento de canal, moradores abrem "estrada" no Rio Paraguai
Moradores do Castelo, a 100 km de Corumbá pelo rio, decidiram se mobilizar e abrir um caminho alternativo
O canal natural que dá acesso a Baía do Castelo, pelo Rio Paraguai, entupiu há um mês com a concentração do chamado baceiro (formação de vegetação aquática densa e flutuante) e os moradores da região estavam isolados, aguardando providências do Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). Como o órgão federal alegou inviabilidade, a comunidade se uniu e abriu uma estrada improvisada no meio do Pantanal.
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O fechamento do canal – único meio de acesso à região – é um fenômeno natural, que ocorre também em outras áreas de influência do Rio Paraguai, ou mesmo no leito deste, em trechos estreitos e pouco navegáveis, como em Cáceres, no Mato Grosso. Composto principalmente por gramíneas, camalotes (aguapés) e raízes, o baceiro pode criar "ilhas flutuantes" com solo denso, capaz de sustentar uma pessoa, provocando desafios logísticos e ambientais.
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Na semana passada, os moradores do Castelo (distante 100 km pelo rio de Corumbá, a sudoeste) decidiram se mobilizar e abrir um caminho alternativo por terra e construíram uma estrada de oito quilômetros até a beira do rio. Foi a solução emergencial que encontraram com o isolamento implacável, impactando na atividade pecuária, que predomina na região, e também no turismo de pesca esportiva e na vida dos ribeirinhos.
Tem água, sim - A Defesa Civil do município fez um levantamento da situação, em meados de fevereiro, e informou a Dnit. Este, comunicou que a desobstrução da vegetação requer águas altas, com riscos de não mover o baceiro e ainda causar danos ao equipamento (um rebocador com espécie de um “garfo” em movimento na sua dianteira). “Pelos vídeos recebidos pela área técnica o nível da água no local encontra-se abaixo da linha da cintura”, citou o órgão.
Os moradores contestam o posicionamento do Dnit, sustentando que a medição feita foi em outro trecho e não no leito do canal, onde a profundidade chega a cinco metros. “O socorro não veio porque não houve interesse. O rio está baixo, porém, o canal está elevado e passa qualquer embarcação grande”, afirma o pecuarista Ozéias Araujo, que gerencia a Fazenda Nova Jerusalém com a família. “Estamos vivendo uma situação muito difícil aqui, só por Deus.”
Segundo o produtor, o entupimento do canal (são 1.200 metros até a grande baía do Castelo, um lugar de morros e bela paisagem, rota de turistas embarcados) ocorre quase todos os anos, mas agora, a vegetação concentrada foi maior e o rio está segurando a correnteza. “Tentamos abrir o baceiro de barquinho, mas é impossível. Vamos usar como alternativa uma freteira (embarcação de fretes) grande para retirar manualmente a vegetação”, disse Araujo.



