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Interior

Justiça absolve uma e condena cinco travestis por morte de colega

Vítima foi esfaqueada ao menos 24 vezes; crime aconteceu em março do ano passado e grupo aguardava julgamento na prisão

Por Liniker Ribeiro e Helio de Freitas | 08/02/2018 07:11
Local do crime cometido em março do ano passado (Foto: O Vigilante)
Local do crime cometido em março do ano passado (Foto: O Vigilante)

Cinco das seis travestis julgadas na noite de ontem (7) pela morte de uma colega, em março do ano passado, foram condenadas a pelo menos 13 anos e meio de prisão. Uma delas, Leandro Daniel da Silva Sena, conhecida como Vanessa, foi absolvida.

O julgamento aconteceu na sala do Tribunal do Júri do Fórum da cidade de Dourados, a 233 km de Campo Grande, e foi presidido pelo juiz César de Souza Lima. Alex Martins Joaquim, de 26 anos, a Rahine, foi condenada a 15 anos e seis meses de prisão. A justiça entendeu que ela foi uma das responsáveis por reunir o grupo para cometer o crime.

Já Gleison Venilson da Silva Martins, de 24 anos , a Kimberly, Jullyan Luccy de Oliveira, de 26 anos, a Julia Maravilha, e Marcelo Flávio Gomes Pinheiro, de 23 anos, a “Rakelly Gomes”, foram condenadas a 14 anos e seis meses de reclusão. Para Matheus Elias Camargo Julio, de 18 anos, a Ana Julia Pugliesi, a condenação foi de 13 anos e seis meses.

Como nenhuma delas possui uma profissão em registro, nem moradia fixa no município onde o crime aconteceu, todas devem cumprir a pena em regime fechado, conforme decisão do juiz. Para ele, o grupo continua apresentando riscos, podendo voltar a agir de forma ilegal e, até mesmo, fugir.

Rahine, por exemplo, já chegou a ameaçar de dentro do presídio, testemunhas do crime, conforme justificou o juiz na decisão. Todas as condenações cabem recursos.

Caso - A travesti Marciano Ferreira dos Reis, de 40 anos, mais conhecida como “Paola Bracho”, foi morta com facadas e golpes de barra de ferro na cabeça, no dia 22 de março do ano passado. A Justiça entendeu que uma disputa por ponto motivou o crime.

Segundo a Polícia Civil, Paola foi morta porque teria extorquido e ameaçado as demais travestis que fazem ponto na área central de Dourados, cobrando diárias para que as demais pudessem utilizar os locais de prostituição.

A investigação apurou que houve um acerto de contas entre a vítima e as demais travestis. Paola foi cercada pelas colegas e morta a golpes de faca e com golpes de uma barra de ferro na cabeça. Ao menos 24 perfurações foram causadas no corpo da vítima.

Três foram presas, na data do crime e outras três identificadas e presas posteriormente. Os seis acusados aguardaram o julgamento na cadeia e apenas uma deve deixar a prisão.