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Interior

Lagoa que já deu "medo" em moradores por enchentes agora será cartão-postal

Prefeitura contratou obra de R$ 842,5 mil para construir área de lazer na Lagoa do Sapo

Por Mylena Fraiha | 15/07/2026 11:42
Lagoa que já deu "medo" em moradores por enchentes agora será cartão-postal
Vista da Lagoa do Sapo, no centro de Batayporã, que passará por obras para se tornar um "cartão-postal" da cidade (Foto: Divulgação).

Por mais de 40 anos, a Lagoa do Sapo foi sinônimo de transtorno para os moradores de Batayporã, município a 310 km de Campo Grande. Em períodos de chuva intensa, o local transbordava, inundava ruas e residências e se tornava um dos principais problemas enfrentados pela cidade. Agora, após o avanço das obras de drenagem, a prefeitura pretende transformar o espaço em uma área de lazer para a população.

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A Lagoa do Sapo, em Batayporã, a 310 km de Campo Grande, que por mais de 40 anos causou alagamentos na cidade, será transformada em área de lazer. A prefeitura contratou a empresa Prosil por R$ 842,5 mil para construir calçadão, pergolados, pista de caminhada e parquinho. O projeto integra obras de drenagem de R$ 20,6 milhões, financiadas pelo Estado, que já reduziram os impactos das chuvas na cidade.

A Prefeitura oficializou a contratação da empresa que será responsável pela implantação da nova estrutura no entorno da lagoa. A obra foi licitada por R$ 842,5 mil, e o contrato foi homologado em favor da empresa Prosil Administração e Construtora Ltda.

O projeto prevê a construção de calçadas e de um calçadão na margem da lagoa voltada para a Prefeitura Municipal, na Rua Luís Antônio da Silva. Também serão implantados pergolados, bancos, paisagismo, ampliação do parquinho infantil, pista de caminhada e estacionamento, com o objetivo de transformar o local em um novo espaço de convivência para moradores e visitantes.

Lagoa que já deu "medo" em moradores por enchentes agora será cartão-postal
Projeto prevê construção de quiosques e calçadão ao redor da Lagoa do Sapo, em Batayporã (Imagem: Reprodução).

Segundo o prefeito Germino da Roz (PSDB), a obra de lazer é consequência da intervenção realizada para resolver os alagamentos históricos da cidade, que hoje já atrai moradores para aproveitar o espaço com familiares e amigos ao redor da lagoa.

"A obra em si não tem a ver com o alagamento. Na verdade, é uma consequência da obra que já está sendo executada. A lagoa fica em frente à prefeitura e, depois que fizemos a obra de drenagem, passamos a utilizar esse local para acolher as pessoas. Colocamos um parquinho, e a população começou a frequentar o espaço com bastante frequência", afirmou Germino.

Segundo ele, o recurso será destinado principalmente à criação de uma praça. "Pleiteamos esse recurso para fazer um calçadão em frente à prefeitura, construir um parque maior, cercado e novo, além de uma pista de caminhada. Na verdade, não seria exatamente uma revitalização, mas a construção de uma praça", explicou o prefeito.

Apesar da fama de "vilã", o prefeito afirma que a Lagoa do Sapo sempre desempenhou uma função essencial para Batayporã. "A população sempre viu a lagoa como um problema. E, na verdade, a lagoa é a solução. Ela é o centro de amortização de todas as águas pluviais da cidade. A cidade é côncava, é um buraco, e o meio dela é a lagoa", disse.

Segundo Germino, o problema é que, durante décadas, o sistema de drenagem foi insuficiente para suportar o crescimento urbano. "Ela só tinha uma linha de drenagem da década de 1980. Não era capaz de retirar toda a água da cidade. Quando conseguimos essa obra, demos um respiro para essa drenagem, que estava toda sufocada."

Problema antigo – O histórico de enchentes acompanha praticamente toda a existência da cidade. De acordo com o prefeito Germino, a primeira inundação ocorreu na década de 1970.

O episódio mais recente ocorreu em outubro de 2022, quando uma chuva de aproximadamente 120 milímetros em menos de duas horas inundou cerca de 50 residências. Na época, a prefeitura chegou a comprar sofás, camas e eletrodomésticos para ressarcir parte das perdas sofridas pelas famílias.

Lagoa que já deu "medo" em moradores por enchentes agora será cartão-postal
Vista aérea da enchente que atingiu o centro de Batayporã após a Lagoa do Sapo transbordar durante chuva, em outubro de 2022 (Foto: Arquivo/Nova News).

Agora, mesmo com as obras ainda não concluídas, o comportamento da drenagem já mudou, segundo o prefeito. "Tivemos uma chuva de 133 milímetros, também em menos de duas horas. Apesar de ter sido maior que a de 2022, tivemos apenas quatro residências invadidas pela água, e sem perdas materiais".

Para ele, a conclusão da drenagem encerrará um problema que se arrasta há décadas. "Essa linha de drenagem vai significar o fim de um período de agonia para as famílias que moram ali. Bastava o tempo fechar para chuva e todo mundo ficava com medo de a água entrar nas casas".

A área de lazer integra um conjunto de investimentos iniciado com a maior obra de infraestrutura da história do município. Com investimento de R$ 20,6 milhões, financiado pelo Governo do Estado, Batayporã executa a implantação de cerca de quatro quilômetros de galerias pluviais e de uma lagoa de amortização construída na região do Bairro Pindocaré, próximo ao cemitério.

A primeira etapa da drenagem, correspondente à rede da área urbana até a lagoa de amortização, foi concluída no primeiro semestre de 2026. Atualmente, seguem em execução a segunda etapa, que amplia a capacidade de drenagem da lagoa de amortização, além de pequenos reparos na rede urbana.

Na avaliação do prefeito, a nova praça ajudará a consolidar uma mudança na forma como os moradores enxergam a Lagoa do Sapo. "A gente saiu da síndrome do patinho feio. Ainda não nos tornamos cisnes, mas estamos trabalhando para que, no futuro, esse local seja muito valorizado pela população e por toda a região."

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