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Choro e revolta: enterro de indígena leva multidão à fazenda palco de conflito

Enquanto parentes se revezavam na abertura da cova, outros emitem palavras de ordem e avançam sobre armazém

Por Lucia Morel e Helio de Freitas, de Amambai | 27/06/2022 18:27

Enterro do indígena Vito Fernandes, de 42 anos, morto em conflito em área da Fazenda Borda da Mata, ocorreu em meio a lágrimas e revolta. A esposa dele, Assunciona Ximenes, de 36 anos, não parava de chorar e no momento que o caixão desceu por completo, em cova aberta pelos próprios indígenas, ela tentou se jogar no local, mas foi contida. Pelo menos 500 indígenas acompanharam o sepultamento.

Porta-voz do grupo, Avá apyka Rendy. (Foto: Helio de Freitas)
Porta-voz do grupo, Avá apyka Rendy. (Foto: Helio de Freitas)

Enquanto os parentes se revezavam na abertura da cova, outros emitiram palavras de ordem, em guarani, chamando, ao que parece, os policiais de genocidas e indo em direção a armazém de grãos da propriedade, apedrejando o espaço e arrancando as câmeras de vigilância. Duas bandeiras do Brasil foram hasteada no topo do local.

Quatro seguranças particulares estavam em vigilância no entorno, onde também havia uma casa de madeira azul, que parecia ser de algum funcionário, ou caseiro. Assim que os indígenas começaram a se aproximar, os seguranças se afastaram e foram seguidos pelos guarani-kaiowás. Viatura da Polícia Militar também esteve no local, mas saiu sem impedir o avanço dos índios.


Porta-voz do grupo, Avá apyka Rendy afirmou que o povo é do bem, família, “somos kaiowás, legítimos dessa região desde a existência desta terra ”, sustentou, dizendo que haverá vigília sobre o túmulo de Vito até que eles saibam que a alma dele foi para o “além”. “A morte dele foi muito cruel”, afirmou.

Ele também garantiu que não há indígenas paraguaios entre eles, o que estaria sendo dito para pôr em dúvida o tamanho da ocupação na fazenda e também que não há armas de fogo com nenhum deles.

Gritos de guerra e de protesto também acompanharam a despedida de Vito, como “Território. Justiça. Demarcação”, assim como “Fora Bolsonaro”. Um indígena da aldeia, ancião, disse que até a década de 70, a área onde hoje é a Borda da Mata, era de vegetação e parte da reserva indígena de Amambai, mas com o tempo, foi sendo desmatada e ocupada pelos brancos.


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