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Campo Grande, Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019

05/12/2018 08:42

Mantido na prisão chefe do contrabando preso durante casamento

Ângelo Guimarães Ballerini, o Alemão, está entre as 26 pessoas presas em 22 de setembro deste ano na Operação Nepsis

Helio de Freitas, de Dourados
Ângelo no momento em que era conduzido pela PF de Maceió para Dourados, em setembro (Foto: Arquivo)Ângelo no momento em que era conduzido pela PF de Maceió para Dourados, em setembro (Foto: Arquivo)

Chefe de um mega esquema de contrabando de cigarro do Paraguai, Ângelo Guimarães Ballerini, o Alemão, preso no dia do casamento, em um resort no litoral de Alagoas em setembro deste ano, vai continuar na cadeia.

A decisão é da Justiça Federal em Ponta Porã, a 323 km de Campo Grande, onde tramita a ação penal contra a quadrilha que tinha apoio de policiais civis, militares e rodoviários federais.

Além de Alemão, Valdenir Pereira dos Santos, o “Perna”, Carlos Alexandre Gouveia e outras 23 pessoas vão continuar atrás das grades durante o andamento da ação penal. Todos viraram réus após a Justiça Federal aceitar a denúncia do Ministério Público Federal, no dia 30 deste mês.

A ação penal, que agora tramita na 2ª Vara da Subseção Judiciária de Ponta Porã, é por contrabando de cigarros do Paraguai e por crimes de corrupção ativa e corrupção passiva.

Na acusação, o MPF afirma que os investigados na operação formaram um consórcio multimilionário focado na criação de “corredores logísticos” para a passagem de cargas de cigarros contrabandeados nas rodovias federais e estaduais de Mato Grosso do Sul.

A estrutura da organização criminosa teria sido dividida entre patrões, gerentes de logística, policiais garantidores-pagadores, policiais garantidores, gerentes auxiliares, batedores, motoristas e olheiros, todos incumbidos de tarefas específicas.

Os quatro “patrões” – Alemão, Perna, Carlos Gouveia e um irmão de Alemão conhecido como Lupa – seriam responsáveis por articular o controle do sistema logístico em nível estratégico e tático, como o estabelecimento de rotas, a contratação e demissão de gerentes e motoristas e o valor pago a cada integrante.

Já os “gerentes”, que seriam 17, ocupavam posição intermediária na organização criminosa, atuando como elo entre os patrões e os demais membros da organização.

Conforme a denúncia, a eles também caberia recrutar, demitir, repreender e pagar os “olheiros”, coordenar o suporte logístico dos olheiros e motoristas, organizar o transporte da carga contrabandeada, bem como manter contato com os garantidores-pagadores. Cada gerente receberia entre R$ 30 mil e R$ 40 mil por sua atuação.

Policiais – Além deles, haveria seis “garantidores-pagadores”, que atuariam recebendo pagamentos mensais para garantir a passagem dos cigarros contrabandeados, informar o monitoramento das atividades de fiscalização e funcionar como elo entre a organização criminosa e outros policiais. Cada um deles, segundo o MPF, recebia aproximadamente R$ 20 mil por ciclo de atividades.

Dentro do núcleo logístico da organização, os “batedores” (ou “namorados”) monitoravam a fiscalização policial em tempo real, orientando o melhor caminho para a condução das cargas. Os motoristas seriam encarregados pelo transporte dos cigarros e os olheiros deveriam se posicionar em pontos estabelecidos para observarem a passagem de veículos, relatando tudo aos denominados “gerentes”.

O MPF afirma que neste primeiro momento privilegiou o ajuizamento da ação penal em desfavor dos presos, que atuavam como patrões, gerentes e garantidores-pagadores.

Alvos identificados nas demais posições da organização criminosa fazem parte de procedimentos investigatórios próprios e as suas condutas serão objeto de providências judiciais penais futuras.

A investigação apurou que as bases operacionais da organização criminosa se situaram em Pindoty Porã e Salto Del Guairá, vizinhas de Sete Quedas e Mundo Novo, respectivamente. As principais rotas utilizadas partiam da região sul de Mato Grosso do Sul. Em 2017 a organização criminosa enviou pelo menos 1.000 carregamentos de cigarros, dos quais 75 foram apreendidos.

Prisões – Ao manter os acusados presos, a Justiça Federal concluiu pela existência de indícios veementes de materialidade e autoria, configurando a necessidade de garantia da ordem pública e de aplicação da lei penal.

Soltos, os réus poderiam “continuar a atuar de forma criminosa em todo território nacional, bem como no exterior, apesar da constante atuação repressiva do Estado”, segundo a decisão judicial.

“Há mais do que uma concreta ‘possibilidade’ de reiteração criminosa, há uma concreta ‘probabilidade’ de reiteração criminosa”, diz a decisão.

“A liberdade neste dado momento processual poderá ensejar, facilmente a reiteração da atividade delituosa, em vista da estrutura, organização e rede de fornecedores e revendedores já formada. Há risco concreto de fuga, pois a organização criminosa mantém base operacional do Paraguai, país cuja imensa extensão territorial da desguarnecida fronteira seca é de conhecimento ululante”, diz o juiz que aceitou a denúncia.

Presos na Operação Nepsis sendo conduzidos por policiais federais, em Dourados, no dia 22 de setembro (Foto: Arquivo)Presos na Operação Nepsis sendo conduzidos por policiais federais, em Dourados, no dia 22 de setembro (Foto: Arquivo)
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