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Interior

Militares obrigam brasileiros a catar lixo como punição por cruzar fronteira

Cena foi flagrada hoje entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero; militares cobraram R$ 60 mil de propina, segundo brasileiros

Por Helio de Freitas, de Dourados | 15/05/2020 14:34
Observados por militar paraguaio armado, brasileiros catam lixo na fronteira (Foto: Reprodução)
Observados por militar paraguaio armado, brasileiros catam lixo na fronteira (Foto: Reprodução)

Militares paraguaios responsáveis em vigiar a fronteira com Mato Grosso do Sul, fechada desde março por causa da pandemia do novo coronavírus, estão sendo alvos de novas denúncias de corrupção e abuso de autoridade contra cidadãos que insistem em cruzar a Linha Internacional entre Ponta Porã (MS) e Pedro Juan Caballero.

Nesta sexta-feira (15), o Campo Grande News teve acesso a um vídeo gravado na hora do almoço em que dois brasileiros são obrigados por soldados da Força Tarefa Conjunta a catar bitucas de cigarro e outros lixos no meio da rua, como punição por cruzarem a fronteira.

Veja o vídeo:

A reportagem apurou que os dois homens são caminhoneiros e trabalham para uma transportadora do Paraguai. Um é de Marechal Cândido Rondon e outro de Guaíra, as duas cidades do interior do Paraná.

Eles estavam parados com os caminhões carregados na Receita Federal em Ponta Porã esperando liberação para ingressar em território paraguaio. Na hora do almoço, eles cruzaram a fronteira e foram até Pedro Juan Caballero para comprar carne e cerveja.

Os caminhoneiros já tinham comprado uma caixa de cerveja e se dirigiam até o açougue quando foram abordados pelos militares da Força Tarefa Conjunta. Segundo os brasileiros, os soldados cobraram 80 milhões de guaranis (cerca de 60 mil reais) para liberá-los.

Como afirmaram que não tinham o dinheiro, foram obrigados a catar lixo na rua como punição. Antes de serem liberados para voltar ao território brasileiro, os caminhoneiros foram obrigados a devolver a caixa de cerveja na conveniência, sem pegar o dinheiro de volta. Os dois não quiseram gravar entrevista e pediram para não serem identificados, por medo de represália, já que trabalham em território paraguaio.

Esta não é a primeira vez que militares paraguaios são acusados de abuso nas barreiras montadas entre as duas cidades. No mês passado, um soldado foi fotografado derrubando e agredindo um cidadão paraguaio que tentava cruzar a Linha Internacional.

Além das barreiras formadas por soldados armados, uma cerca de arame farpado foi instalada entre as duas cidades. Mesmo com toda a vigilância para impedir a circulação de moradores, as apreensões de drogas e de cigarro contrabandeado que saem do Paraguai aumentaram no mês passado em Mato Grosso do Sul.