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Interior

Morto em confronto era investigado por mortes ligadas a “tribunal do crime”

Investigação em Itiquira aponta envolvimento em dois assassinatos, um deles com tentativa de degola da vítima

Por Bruna Marques | 22/09/2026 11:52
Morto em confronto era investigado por mortes ligadas a “tribunal do crime”
Policiais do Garras durante diligência que resultou na localização de Iander em propriedade rural de Nova Alvorada do Sul (Foto: Alvorada Informa)

Iander Cássio Teodora Ortega, de 37 anos, morto em confronto com policiais do Garras em uma propriedade rural de Nova Alvorada do Sul, era investigado por dois homicídios ligados ao chamado “tribunal do crime” em Itiquira (MT). Em um dos casos, a vítima foi encontrada com as mãos amarradas e sinais de tentativa de degola. No outro, Iander é apontado como participante da ação que terminou na morte de Leonardo Garces Ajala.

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Iander Cássio Teodora Ortega, de 37 anos, morreu em confronto com policiais do Garras em Nova Alvorada do Sul após ser localizado com mandados de prisão por dois homicídios em Itiquira (MT), cometidos em 2021 e 2023, com indícios de ligação ao Comando Vermelho. Ele apontou arma aos agentes e foi baleado. Com ele foram apreendidas pistola calibre .22 e uma espingarda .32. A morte é a 140ª por intervenção policial no Estado em 2025.

Os crimes ocorreram em 2021 e 2023 e resultaram em dois mandados de prisão preventiva contra Iander, expedidos pela Vara Única da Comarca de Itiquira. Um dos processos também envolve investigação por organização criminosa.

No primeiro homicídio, ocorrido em 2021, a vítima foi Manoel Garces de Sousa. Conforme a investigação da Polícia Civil de Mato Grosso, o crime teria relação com a atuação do Comando Vermelho. Uma testemunha afirmou ter assistido a uma gravação do assassinato e apontou Iander entre os participantes.

Manoel foi encontrado com as mãos amarradas para trás. A investigação apurou que ele teria sido golpeado com uma faca e submetido a uma tentativa de decapitação ou degola. Detalhes relatados pela testemunha sobre como o crime ocorreu também teriam encontrado correspondência em elementos periciais analisados posteriormente.

Os investigadores ainda reuniram informações de que um Fiat Palio preto ligado a Iander teria sido utilizado na ação. Ao fim do inquérito, ele foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, com representação pela prisão preventiva.

O segundo homicídio ocorreu em 2023 e teve como vítima Leonardo Garces Ajala. Nesse caso, a investigação apontou que Iander teria fornecido o veículo utilizado pelos executores do crime.

Outros elementos também foram reunidos pela polícia, entre eles um contato telefônico com o número da vítima na madrugada do desaparecimento, conhecimento sobre o local onde o cadáver foi posteriormente encontrado e contradições verificadas nas declarações prestadas por Iander durante a apuração.

Ao final da investigação, ele foi indiciado por participação em homicídio qualificado e também teve a prisão preventiva solicitada.

Uma das principais testemunhas do caso passou a sofrer ameaças atribuídas ao Comando Vermelho e teria sido jurada de morte pela organização criminosa. Devido ao risco, chegou a ser incluída em um programa de proteção a testemunhas, mas desapareceu antes de ser efetivamente acolhida e permaneceu em paradeiro desconhecido na época da conclusão da investigação.

O relatório policial, no entanto, não estabeleceu de forma conclusiva que o desaparecimento tenha ocorrido por determinação da organização criminosa.

Confronto - Iander foi localizado pelo Garras em uma propriedade rural de Nova Alvorada do Sul, a 116 quilômetros de Campo Grande. A equipe prestava apoio à Polícia Civil de Mato Grosso, especialmente à Delegacia de Polícia de Itiquira, para cumprir os dois mandados de prisão preventiva contra o investigado.

Conforme o registro policial, os agentes chegaram ao imóvel e visualizaram uma pessoa do lado externo da residência. Ao perceber a aproximação da equipe, o homem correu em direção aos fundos da propriedade.

Durante as buscas, Iander foi localizado portando uma arma de fogo. Os policiais afirmaram que se identificaram e determinaram que ele largasse o armamento, mas, segundo o boletim de ocorrência, o investigado não obedeceu e apontou a arma na direção dos agentes.

Dois policiais efetuaram um disparo cada para fazer cessar a agressão.

Após os tiros, Iander ainda apresentava sinais vitais. Os próprios policiais fizeram a remoção e o levaram para atendimento médico em Nova Alvorada do Sul, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

Com Iander foi apreendida uma pistola calibre .22, da marca Tala, municiada com quatro munições intactas. Durante a verificação do imóvel, os policiais também encontraram uma espingarda calibre .32 e munições dos calibres .22 e .32.

A Polícia Científica foi acionada e realizou perícia na propriedade. As armas foram apreendidas e preservadas para os exames necessários à apuração das circunstâncias do confronto.

A morte de Iander é a 140ª decorrente de intervenção de agente do Estado registrada em Mato Grosso do Sul neste ano, conforme levantamento da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), compilado pelo Campo Grande News.

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