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Campo Grande, Sábado, 24 de Agosto de 2019

25/09/2018 12:23

Suspeito de desvio em sindicato, ex-vereador denunciou colegas há 4 anos

Na época da Operação Atenas em 2014, Adriano José Silvério contou detalhes de como funcionava esquema de corrupção comandado pelo então presidente da Câmara Cicinho do PT

Helio de Freitas, de Dourados
Adriano José Silvério é conduzido por agente da PF ao ser preso na Operação Atenas, em outubro de 2014 (Foto: Arquivo)Adriano José Silvério é conduzido por agente da PF ao ser preso na Operação Atenas, em outubro de 2014 (Foto: Arquivo)

Alvo da Operação Remake desencadeada hoje (25) em Naviraí, a 366 km de Campo Grande, o ex-vereador e atual presidente do sindicato dos servidores municipais Adriano José Silvério é investigado por desvio de R$ 670 mil, segundo o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado).

Em outubro de 2014, quando exercia o mandato de vereador após ser o mais votado em 2012, Adriano Silvério foi preso junto com outros legisladores acusado de acusado de fazer parte de um esquema de corrupção envolvendo diárias fraudulentas e cobrança de propina para aprovação de projetos na Câmara.

Após ser preso na Operação Atenas, há quatro anos, Silvério denunciou o esquema de corrupção liderado pelo então presidente da Câmara, Cícero dos Santos, o Cicinho do PT.

Silvério disse que Cicinho recebia retornos de empresas que prestavam serviço para o Legislativo e fazia questão de falar “em voz alta” para todos na Câmara que ficava com parte do dinheiro pago a três empresas contratadas após ele assumir a presidência.

Na época o Campo Grande News teve acesso à cópia do depoimento que Adriano José Silvério prestou à Polícia Federal e ao Ministério Público no dia 14 de outubro de 2014, seis dias após ser preso na Operação Atenas.

Ele já estava recolhido no presídio de Naviraí quando pediu para prestar novo depoimento e abriu mão inclusive da presença de seu advogado.

No depoimento ao delegado da PF Nilson Zocarato Zanzarin Ribeiro Negrão, Adriano Silvério revelou que Cícero dos Santos conseguiu se eleger para presidente da Câmara em troca de dinheiro, favores e da distribuição de cargos no Legislativo.

“Cícero falava dentro da Câmara que deu dinheiro para todos os vereadores para ser eleito presidente da Casa. Ao requerido [Adriano], Cícero deu um cargo de diretor, ocupado por Regivan Moraes da Silva, amigo e cabo eleitoral na campanha de vereador. Em troca do voto de Elias Alves [também vereador à época], deu o cargo de primeiro-secretário, que recebia verba de gabinete maior que os demais”, dizia trecho do depoimento.

Atenas – Os então vereadores Cícero dos Santos, Adriano José Silvério, Carlos Alberto Sanches, Marcus Douglas Miranda e Solange Melo foram presos no dia 8 de outubro de 2014 durante a Operação Atenas acusados de fazer parte de um esquema de corrupção que incluía recebimento de diárias fraudulentas, extorsão de empresários, fraude de licitações e recebimento ilegal de empréstimos consignados feitos por assessores da Câmara. Solange renunciou ao mandato no início deste mês.

Também foram presos os então assessores da Câmara Wagner Nascimento Máximo Antônio, Rogério dos Santos Silva, o “Dill”, e Thiago Caliza da Rocha, Carlos Brito de Oliveira, o Baiano, que prestava serviço de sonorização e gravação de vídeo para a Câmara; e Mainara Gessika Malinski, mulher de Cícero.

No dia 31 de outubro de 2014 o juiz Eduardo Magrinelli Junior acatou a denúncia do Ministério Público contra as dez pessoas presas e contra os então vereadores Elias Alves (Pros), o “Elias Construtor”, Gean Carlos Volpato (PMDB) e Vanderlei Chagas (PSD), que não foram detidos, mas acabaram denunciados pelo MP e foram cassados. A ação penal continua em andamento na Justiça Estadual.

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