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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

29/06/2015 18:07

Responsáveis por 58% das internações em MS, hospitais temem colapso

Michel Faustino
Reunião realizada na tarde de hoje na Santa Casa de Campo Grande contou com a participação de gestores de diversas instituições da Capital. (Foto: Fernando Antunes)Reunião realizada na tarde de hoje na Santa Casa de Campo Grande contou com a participação de gestores de diversas instituições da Capital. (Foto: Fernando Antunes)

As 43 Santas Casas e hospitais filantrópicos de Mato Grosso do Sul estão em crise, mergulhadas em dívidas, sem recursos e a beira de um colapso, conforme a Febesul (Federação das Instituições Beneficentes do Estado). Ano passado, as entidades foram responsáveis por 58,77% das internações no Estado.

Segundo a presidente da Febesul, Rosa Conceição da Costa Vilas Boas, ao menos 11 instituições, em sete cidade, encontram-se em condições piores de sustentação do passivo.

“É preciso que a saúde seja realmente prioridade, não só no discurso e sim na prática. E a população precisa ficar atenta a isso, porque estamos a beira de um colapso. E muito se deve ao problema ocasionado pelo subfinanciamento da saúde. Precisamos que o poder público reconheça a importância disso, para evitar que os hospitais fechem as portas”, comentou Rosa, durante encontro do movimento em defesa dos hospitais filantrópicos realizado na tarde de hoje (29) na Santa Casa de Campo Grande.

De acordo com o vice-presidente da Febesul, Esacheu Nascimento, dos 43 hospitais beneficentes do estado, dois se encontram sob intervenção nos municípios de Aquidauana e Corumbá, e um, em Nova Andradina, precisou fechar as portas por conta da crise.

“Isto é um reflexo de que é preciso mudar esta realidade. Hoje, os hospitais sofrem para se manterem abertos e a cada dia o risco é eminente disso. E com isso, a população que necessita destes atendimentos que sofrerá as consequências”, lamentou.

O diretor-presidente da ABCG, mantenedora da Santa Casa de Campo Grande, Wilson Teslenco, comenta que um dos maiores problemas enfrentados atualmente pelos hospitais beneficentes é quanto ao subfinanciamento.

“É muito preocupante porque hoje os hospitais estão envoltos em dívidas e até mesmo com seus patrimônios comprometidos. E temos que mudar esta realidade”, disse.

A Santa Casa, por exemplo, está com o contrato de repasse adicional vencido há 20 dias. Estado e Prefeitura Municipal propuseram repassar R$ 3,5 milhões, por mês.

Do montante, R$ 3 milhões viriam da prefeitura e restante por parte do Estado, com possibilidade de ajuste semestral ou anual, considerando os custos do hospital. Além disso, o Governo repassaria mais R$ 500 mil, porém o hospital teria de abrir mais 10 leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva).

Ao todo, o repasse total seria de R$ 4 milhões, desde que a Santa Casa ampliasse o atendimento. Conforme solicitado pela direção do hospital, seria assinado um contrato de cinco anos, porém sem reajuste pré-fixado, no entanto, a proposta não foi aceita.

De janeiro até agora, a Santa Casa de Campo Grande realizou média mensal de 1,6 mil internações. Atendimentos de urgência e emergência foram uma média de 5,1 mil por mês e 2,1 mil cirurgias.

Conforme a CMB (Confederação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos) as dívidas dos hospitais beneficentes no Brasil está hoje em R$ 19 bilhões. Os débitos são com a União, fornecedores e funcionários.



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