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Campo Grande, Quinta-feira, 14 de Dezembro de 2017

31/07/2016 09:17

Saúde teme que vacina motive descuido e prevê surto de dengue

Eliminação de criadouros do mosquito transmissor é a melhor forma de combate, garante SES

Anahi Zurutuza
Garrafas de plástico servem de criadouros para o mosquito transmissor (Foto: Arquivo)Garrafas de plástico servem de criadouros para o mosquito transmissor (Foto: Arquivo)

Já prevendo nova epidemia de dengue em Mato Grosso do Sul a partir do fim do ano, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) teme que a chegada da vacina contra a doença possa ter efeito contrário ao de facilitar o combate à doença. Pessoas que tiverem condições financeiras de se imunizarem – uma vez que cada dose custará R$ 350 e o tratamento completo, R$ 1.050 –, podem acabar deixando de lado os cuidados com “o quintal de casa”.

A vacina deve chegar nas clínicas particulares de Campo Grande na próxima semana, no mais tardar em dez dia.

De acordo com Mauro Lúcio Rosário, coordenador estadual de controle de vetores, afirma que independemente da possibilidade de ficar imune à doença, o alerta é para que a população mantenha sempre os quintais e terrenos baldios limpos. “Não temos certeza da eficácia desta vacina e a melhor forma de evitar uma epidemia é acabar com o mosquito Aedes aegypti [transmissor da doença]”.

Ele explica que a SES já trabalha com a possibilidade de novo surto e acredita que em dezembro deste ano já comecem a aumentar o número de diagnósticos da doença.

Qualquer objeto que acumule água representa risco (Foto: Arquivo)Qualquer objeto que acumule água representa risco (Foto: Arquivo)
Mosquito transmite vírus da dengue por meio da picada (Foto: Sanofi Pasteur/Divulgação)Mosquito transmite vírus da dengue por meio da picada (Foto: Sanofi Pasteur/Divulgação)

Campo Grande passou por estiagem de uma quarentena e depois que choveu por três dias, o tempo voltou a secar – hoje é o 13º sem chuva na Capital. Apesar da seca, não é hora de deixar de lado o trabalho de eliminação dos reservatórios de água, onde o mosquito de reproduz, afirma o coordenador estadual.

“Nós temos uma grande preocupação com a herança da epidemia passada. Os recipientes que estão jogados, que não foram eliminados podem estar com ovos do mosquito e provavelmente, já com o vírus. Poderemos ter nova epidemia entre o final deste ano e início do ano que. Por isso, não é momento para cruzar os braços, cada um tem de fazer a sua parte”, adverte Rosário.

Combate – Nesta época do ano, que há recuo no número de casos de dengue, as secretarias municipais de saúde param de fazer o fumacê, segundo o coordenador, porque a medida não tem tanta eficácia. “O objetivo do fumacê é cortar a cadeia de transmissão dos vírus da dengue, controlar a infestação de mosquitos contaminados, por isso é feito em bairros onde há grande número de notificações. Só é feito quando há maior circulação dos vírus”, esclarece.

Mas, o trabalho de vistoria dos imóveis e eliminação de focos com a limpeza de terrenos não pode parar. “Esta é a orientação que a gente dá para as prefeituras. Todos os 365 dias do ano têm de haver ações. Se pararmos, há o acúmulo de reservatórios, e mais chances de epidemia”.

Vacina fabricada por laboratório francês teve autorização para ser vendida no Brasil e chega na próxima semana na Capital (Foto: Sanofi Pasteur/Divulgação)Vacina fabricada por laboratório francês teve autorização para ser vendida no Brasil e chega na próxima semana na Capital (Foto: Sanofi Pasteur/Divulgação)

Vacina – O tratamento com a vacina – que protege contra quatro tipos de dengue – inclui três doses, com seis meses de intervalo entre elas. Vacinada, a pessoa tem de 66% a 70% de chances de não ter a doença. E, mesmo se contrair o vírus, em 82% dos casos, o paciente tem sintomas leves e não precisa de internação.

Boletim – Até quarta-feira (27), 57.839 pessoas haviam sido diagnosticadas com dengue em Mato Grosso do Sul – em média 270 casos foram registrados por dia. A quantidade total de notificações é o maior desde 2013, quando a doença fez 102.026 vítimas.

A dengue já matou 16 pessoas, conforme o último boletim epidemiológico divulgado pela SES.

 

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