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Campo Grande, Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017

15/04/2015 13:56

Trem do Pantanal fracassa seis anos depois e empresa suspende passeio

Ricardo Campos Jr.
Estação Indubrasil, de onde saía do Trem do Pantanal em sua fase turística, está abandonada desde que foi excluída do trajeto (Foto: Fernando Antunes)Estação Indubrasil, de onde saía do Trem do Pantanal em sua "fase turística", está abandonada desde que foi excluída do trajeto (Foto: Fernando Antunes)

Depois de reduzir o percurso do Trem do Pantanal na tentativa de torná-lo mais atrativo, a Serra Verde Express resolveu suspender a atração turística. A empresa não falou o motivo da desativação e afirmou que aguarda reunião com o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) para resolver questões "determinantes" para a retomada das atividades.

Na época da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, a linha saía de Campo Grande com destino a Corumbá tendo seu apogeu entre as décadas de 1960 e 1980. Quando a ALL Logística assumiu a concessão dos trilhos, o trecho foi reativado em 2009, mas como passeio. A Estação Indubrasil recebeu R$ 1,6 milhão em investimento e tornou-se o ponto de partida. A inauguração foi uma grande festa e contou até com a presença do então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Entretanto, desde o começo da “fase turística”, o Trem do Pantanal apresentava sinais de que não daria certo. Na primeira viagem comercial, porém, os vagões saíram com menos de 40% da capacidade total.

Além disso, a viagem terminava em Miranda e não chegava até Corumbá, como no itinerário original. Paulo Duarte (PT), atual prefeito desse município, debateu a questão quando era deputado estadual e essa sempre foi a grande reivindicação dele. “Para mim, o fim do Trem do Pantanal não é surpresa”, opina.

Segundo ele, outro problema era que a locomotiva não conseguia atingir alta velocidade, tornando a viagem cansativa. Várias pessoas que fizeram o roteiro resolveram voltar para Campo Grande de van ou de ônibus para ganhar tempo. “Sem recuperação da ferrovia, aumentando a velocidade e as condições de segurança, fazendo com que chegasse ao trecho mais bonito, era um projeto natimorto”, relata.

Paredes da estação estão todas pichadas (Foto: Fernando Antunes)Paredes da estação estão todas pichadas (Foto: Fernando Antunes)

Decadência – Em setembro de 2014, Campo Grande saiu da rota do percurso, que passou a ir apenas de Aquidauana até Miranda. A justificativa da Serra Verde Express, que administra outros passeios de trem no Paraná e Espírito Santo, foi tornar a viagem mais agradável.

Enquanto isso, a estação Indubrasil ficou às moscas. O abandono abriu margem para ação de vândalos. A depredação pode ser observada logo na guarita, já sem os vidros, pichada, suja. O letreiro com o nome do local já perdeu algumas letras e parte do forro de PVC foi arrancado, expondo a estrutura metálica por baixo dele.

Dentro do local restam apenas uns bancos de madeira aparentemente usados pelos passageiros enquanto aguardavam o transporte. Na plataforma, grandes vasos de madeira já não ostentam mais plantas. Pelos trilhos, mato alto.

“Para mim é muito triste eu ver como está acabando essa estação. Acho um desperdício de dinheiro, até porque os custos saíram do nosso bolso”, diz a dona de casa Idalina Benites Rafael, 59 anos, que mora nas imediações do prédio.

Mesmo durante o funcionamento, segundo ela, nunca houve grande movimento de pessoas. “Nunca foi cheio. Acho que foi um projeto que fracassou”, opina. Ela chegou a viajar no trem na época em que ele realmente chegava até o coração do Pantanal. Agora, o abandono afeta até mesmo a vida da moradora. “Vêm cobras e aranhas do matagal. Usuários de drogas invadem e tem muito barulho. Acabaram com tudo”, afirma.




VOLTAR O TREM DE PASSAGEIRO É E PODE SER UMA REALIDADE NOVAMENTE, E DIZER QUE OS TRILHOS NÃO SUPORTAM É PURA DEMAGOGIA, COMO DIZER DO PESO QUE VEM DE CORUMBÁ COM MINÉRIO DE FERRO E MANGANÊS NUMA GRANDE QUANTIDADE DE VAGÕES. PORÉM SE PODEMOS NOS MATAR NAS RODOVIAS COM A SUFOCANTE CARGA DE VEÍCULOS DE TODO TIPO. SENHORES AJUDEM A VOLTAR O TREM DE PASSAGEIRO POIS AS INDUSTRIAS DE VEÍCULOS É QUE EMPERRAM O USO PARA QUE POSSAM CADA VEZ MAIS AUMENTAR A FROTA E QUE LOGO VAI TRAVAR POIS NÃO HAVERÁ MAIS ESPAÇO NA RODOVIA.
 
Luiz Carlos Santos Messias em 16/04/2015 05:19:10
Foram várias sequencias de erros:
1º Passagem muito cara; 2º Devido os trilhos serem de bitola estreita não aceita locomotiva de maior velocidade; 3º A empresa que administrava não tinha uma sede ou escritório na capital para venda de passagens sendo que a empresa tinha sede em Curitiba,PR.
E por ultimo o povo sul mato-grossense fala muito da boca pra fora, por exemplo, queriam tanto o antigo Relógio da rua 14 de julho que depois de reconstruído ninguém da minima importância para o relógio, isso também aconteceu com o Tren, queriam tanto ele de volta.
 
wild em 15/04/2015 20:44:40
Mais uma boa idéia enterrada pela burrice e incompetência dos gestores públicos e privados envolvidos. É inacreditável que o trem tenha sido sequer relançado com a velocidade baixíssima que desenvolvia e como percurso pela metade (por não ir até Corumbá). Isso para não falar dos preços, que nunca foram atrativos!
 
Luiz Pereira em 15/04/2015 16:54:53
Eu sinceramente acho que a grande "burrada" foi a velocidade do trem no passeio, ninguem quer andar mais devagar que uma pessoa a pé e ainda pagar por isso, o tempo que demorava na viagem era uma piada, quem ia ficava com trauma e não andava mais no trem, voltava de taxi mas não vinha de trem, se fosse um trem super sofisticado, com um belo vagão restaurante, salas de tv, etc, aí sim justificaria a viagem demorada, mas não tem nada, voce fica olhando só mato e demora uma eternidade, se pensarmos bem, demorou até pra quebrar, a empresa deve ter gasto mundos e fundos para manter o passeio.
 
Max em 15/04/2015 14:29:09
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