Por que o minimalismo nos looks está tão em alta?
Talvez não seja só estética. Estamos hiperestimulados e isso reflete nas nossas escolhas.
Vivemos em um tempo curioso: nunca fomos tão estimulados, e nunca estivemos tão cansados. São notificações o tempo todo, excesso de informação, múltiplas telas, decisões constantes. O cérebro não descansa. Ele filtra, compara, reage… o dia inteiro. E, sem perceber, começamos a buscar alívio onde antes nem imaginávamos: na forma de nos vestir.
É nesse contexto que o minimalismo deixa de ser apenas uma escolha estética e passa a ser quase uma necessidade emocional. Talvez por isso o termo esteja tão em alta.
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Veja, por exemplo, o estilo de Carolyn Bessette, que voltou à tona por conta da minissérie recém-lançada "Love Story: John F. Kennedy Jr & Carolyn Bessette". Nos anos 90, ela era talvez a mulher mais fotografada pelos paparazzi e hoje, 25 anos depois de sua morte, é presença constante como ícone de estilo nos portais que falam de moda. São incontáveis os posts ensinando as outras mulheres a se vestirem como ela.
Existe um conceito da psicologia chamado fluência perceptiva. De forma simples, explica por que algumas imagens nos parecem agradáveis imediatamente, enquanto outras nos causam certo incômodo ou cansaço visual.
O nosso cérebro gosta do que ele consegue processar facilmente. E isso acontece quando olhamos uma roupa e entendemos aquela imagem com facilidade, rapidez e sem ruído. É como se a pessoa batesse o olho e pensasse, sem esforço: “faz sentido”, “está harmonioso”. As cores que conversam entre si, existem poucos elementos competindo, ou seja, apenas um ponto focal, uma silhueta clara e um estilo bem definido. Os elementos se repetem de forma sutil, cria continuidade visual e harmonia.
Quando um look é fácil de entender, o cérebro “relaxa”. Ele não precisa fazer esforço para decodificar aquela imagem. Há uma sensação quase automática de conforto, elegância e segurança.
Por outro lado, quando há excesso de informação, muitas cores, muitas referências, muitas mensagens ao mesmo tempo, o cérebro precisa trabalhar mais. E, em um mundo onde já estamos sobrecarregados, isso pesa.
Mas aqui é importante fazer uma observação: minimalismo não é sinônimo de monotonia, nem de falta de estilo. É sobre escolher melhor, e não escolher menos.
Existe também uma mensagem silenciosa por trás disso. Em meio a tanto barulho, quem se apresenta de forma clara, objetiva e visualmente organizada se destaca. Não pela extravagância, mas pela precisão. É uma elegância que não pede atenção, ela naturalmente recebe. O minimalismo, nesse sentido, também comunica maturidade e segurança.
No fim das contas, o que vestimos não impacta apenas como somos vistos, mas também como nos sentimos. E, em um mundo acelerado como o nosso, a escolha por uma imagem mais minimalista pode ser, sim, uma forma de autocuidado.
Aqui um miniguia para você que quer se vestir de uma maneira mais harmônica.
1. Tenha um ponto principal
Uma peça protagonista (ex: blazer príncipe de Gales). O resto apoia, não compete
2. Limite a informação
- até 3 cores principais
- até 1 destaque forte
3. Repita elementos
- cor do sapato conversa com a bolsa
- acessório dialoga com o look
Isso cria continuidade visual. E vale para homens e mulheres.
(*) Larissa Almeida é formada em Comunicação Social pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e pós-graduada em Influência Digital pela PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul). Durante 14 anos, trabalhou na área de comunicação e imagem em instituições como a Caixa Econômica Federal, a Prefeitura de Campo Grande, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e o Senado Federal, além de ter coordenado a comunicação da Sanesul (Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul). É consultora de imagem formada pela RML Academy (Royal Makeup Lab Academy) e pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, além de especialista em dress code e comportamento profissional por Cláudia Matarazzo e pela RMJ TRE (RMJ Treinamento e Desenvolvimento Empresarial). Siga no Instagram @vistavoce_.

