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Economia

Capital dribla juros altos e cresce puxada por serviços e geração de empregos

Campo Grande amplia geração de empregos e bate recorde histórico na balança comercial

Por José Cândido | 12/05/2026 09:45
Capital dribla juros altos e cresce puxada por serviços e geração de empregos
Setor da construção civil segue em expansão e reforça cenário de crescimento econômico sustentado em Campo Grande. (Foto divulgação)

Mesmo em um cenário nacional de juros elevados, crédito mais caro e incertezas inflacionárias, Campo Grande mantém a economia em movimento e consolida um ritmo de crescimento acima da média brasileira. A combinação entre expansão do setor de serviços, mercado de trabalho aquecido e avanço do comércio exterior vem sustentando o desempenho da Capital em 2026.

RESUMO

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Campo Grande mantém crescimento econômico acima da média nacional em 2026, com PIB estimado em 2,5%, segundo o Boletim Econômico da Prefeitura. A cidade gerou 2.999 empregos formais no ano, tem taxa de desemprego de 3,1% e 155,2 mil empresas ativas. As exportações somaram US$ 191,2 milhões no primeiro trimestre, alta de 25,67%. A inflação acumulada de 12 meses é de 2,66%, a menor entre as capitais brasileiras.

Os dados fazem parte da 53ª edição do Boletim Econômico da Prefeitura de Campo Grande, elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), com informações atualizadas até abril.

A estimativa é de que o Produto Interno Bruto (PIB) do município avance cerca de 2,5% neste ano. O resultado é considerado positivo principalmente porque ocorre em um ambiente econômico mais restritivo, em que setores dependentes de financiamento, como o comércio de bens duráveis, enfrentam maior dificuldade.

Enquanto parte da economia nacional desacelera, Campo Grande encontra sustentação principalmente nos serviços, segmento que continua sendo o principal motor da atividade econômica local. O boletim aponta que a recuperação ganhou força gradualmente desde o segundo semestre de 2025, embora o comércio ainda apresente retomada lenta e a indústria siga pressionada, especialmente pelo desempenho negativo do setor de refino de petróleo e biocombustíveis.

No mercado de trabalho, os números reforçam o momento de aquecimento econômico. Apenas em março, Campo Grande abriu 1.428 vagas formais, com saldo positivo em todos os setores da economia. No acumulado de 2026, já são 2.999 novos empregos gerados, impulsionados principalmente pela construção civil e pelos serviços.

A Capital também aparece entre as cidades com menor taxa de desemprego do País. Atualmente, o índice é de 3,1%, indicador que sinaliza melhora na ocupação e fortalecimento da atividade econômica.

Para o secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, a diversificação econômica tem ajudado a cidade a atravessar um período mais desafiador no cenário nacional.

Segundo ele, o fortalecimento dos serviços e o bom desempenho do mercado de trabalho demonstram a capacidade da Capital de manter a economia ativa com base em setores mais resilientes.

Outro dado que chama atenção é o avanço do ambiente de negócios. Campo Grande alcançou em abril a marca de 155,2 mil empresas ativas, crescimento de 19,1% em relação ao início de 2025 e superior a 50% desde 2020.

Hoje, o município concentra mais de 41% das empresas de Mato Grosso do Sul, consolidando-se como principal polo econômico do Estado. A maior parte desses negócios está ligada ao setor de serviços e ao universo das micro e pequenas empresas, cenário que reforça o empreendedorismo local, mas também acende alerta sobre desafios de produtividade e sustentabilidade no médio prazo.

Na inflação, os indicadores seguem relativamente controlados. Em março, o IPCA registrou alta de 0,93% em Campo Grande. No acumulado de 12 meses, porém, a inflação é de 2,66% — a menor entre as capitais brasileiras. O avanço recente foi puxado principalmente pelos preços dos alimentos e combustíveis.

O comércio exterior também vive um momento histórico. No primeiro trimestre de 2026, as exportações de Campo Grande somaram US$ 191,2 milhões, crescimento de 25,67% em comparação ao mesmo período do ano passado.

As importações avançaram para US$ 101 milhões, impulsionadas principalmente pela compra de combustíveis, especialmente gás natural. Com isso, a corrente de comércio chegou a US$ 292,2 milhões, enquanto o saldo comercial positivo alcançou US$ 90,1 milhões — o maior já registrado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.

Entre os principais destinos das exportações aparecem Estados Unidos, China e Chile. Já Bolívia, China e Argentina lideram entre os países de origem das importações.

O boletim também destaca o avanço das relações comerciais ligadas à Rota de Integração Latino-Americana (RILA). Atualmente, mais de 30% do comércio exterior de Campo Grande envolve países integrantes do corredor sul-americano, especialmente pela importação de gás natural boliviano.

Para Ademar Silva Junior, o desempenho reforça o papel estratégico da Capital no cenário regional e evidencia o impacto de políticas voltadas à melhoria do ambiente de negócios e atração de investimentos.

Apesar do cenário positivo, o boletim aponta que a economia ainda exige cautela nos próximos meses. Juros elevados, pressões inflacionárias e instabilidades externas continuam sendo fatores capazes de influenciar o ritmo de crescimento da Capital ao longo de 2026.