A “Questão Nabileque”: impedir a doação de 1 milhão de hectares aos argentinos
Durante um breve tempo, o Paraguai esteve perto de ser anexado à Argentina. O governo colorado que tentava essa anexação sofreu uma campanha dos liberais e dos jornais… e foi derrubado. À partir de então, o medo dos argentinos tomarem o Mato Grosso do Sul tomou conta do Exército brasileiro. Nossos militares acabavam de entender o projeto de Mário Travassos, indicando que está era uma região fundamental para o Brasil, algo que nem passava pela cabeça de qualquer governante do país.
Os cuiabanos doaram um milhão de terras para os argentinos.
A manobra é clássica. Bastava responder à indagação: “como doar um milhão de hectares para uma grande empresa argentina?“ A respostas é simples: “encontrem um testa de ferro”. E foi o que fizeram. Encontraram Celso Pazzini, um italiano “disposto” a receber as terras. Em seguida, o italiano repassou as terras para a empresa “Fomento Argentino Sud-Americano”. O contrato inicial, lavrado pelos cuiabanos e o italiano dizia que essas terras ficariam com ele por 30 anos, pagando uma verdadeira “esmola contratual”: dez contos de réis anuais, preço de algumas dezenas de hectares. Era um golpe muito bem articulado para suplantar a doutrina de Mário Travassos. Essa doutrina dizia que nenhum estrangeiro poderia adquirir terras no MS na faixa de 30 quilômetros quadrados na faixa de fronteira. As terras doadas eram em Corumbá, indo até o rio Apa.
Engabelar, atrasar, o velho método de conquista.
Criou-se a maior disputa do Exército naquele período. Felizmente, os militares de tudo fizeram para impedir a mutretagem dos cuiabanos. Mas malandro sempre oferece resistência. Por muito tempo, a disputa, apenas em documentos, sem nenhuma truculência, esteve sob a égide documental. Papéis para lá, papéis para cá, os dois contendores não desistiam de seus intentos. Malandros contra militares preocupados com nossa soberania em um embate gigantesco. Os cuiabanos enrolaram um longo tempo. Os argentinos por aqui ficaram, mas acabaram desistindo de seus intentos de dominar o Paraguai e o Mato Grosso do Sul.
Os artigos publicados com assinatura não traduzem necessariamente a opinião do portal. A publicação tem como propósito estimular o debate e provocar a reflexão sobre os problemas brasileiros.




