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20/05/2018 10:11

A transmissão da cólera e a rede de esgotos

Mário Sérgio Lorenzetto
A transmissão da cólera e a rede de esgotos

Em 1854, o bairro de Soho, em Londres sofreu o mais sério surto de cólera de sua história. A cólera, durante séculos, esteve trancafiada na Índia. Com as grandes navegações, expandiu-se para o mundo, chegando a Londres. John Snow, médico pioneiro em técnicas de anestesia com éter e clorofórmio, reuniu meticulosamente dados sobre os casos em Soho mapeando as casas atingidas. Andando e pesquisando, descobriu uma pequena indústria onde a maioria dos trabalhadores tivera cólera. Já havia mapeado mais de 500 casas no Soho quando descobriu que uma senhora de um bairro distante tivera cólera. Seria o fim de sua pesquisa? Pelo contrário, descobriu que essa senhora era a mãe do proprietário da pequena fábrica e que gostava de tomar água de uma fonte vizinha à empresa, que lhe era levada em garrafas. E mais, Snow ligou a água dessa fonte com um esgoto a céu aberto que ficava a poucos passos do manancial. Foram seis anos de pesquisa e muito estudo. John Snow fundou a epidemiologia moderna. Foi contra a ideia dos miasmas que tomavam conta da população. Esses miasmas seriam o mau cheiro que transmitiriam a cólera. Snow combateu essa falsa medicina dizendo que havia alguma coisa nas fezes que chegavam à água e faziam com que surgisse a cólera. As bactérias - a cólera é transmitida por uma bactéria denominada "vibrio colera" - ainda eram desconhecidas. E foram quase vinte anos para que as autoridades inglesas resolvessem tomar vergonha e construir esgotos em toda a cidade. Á partir da rede de esgotos londrina, essa infra-estrutura tornou-se universal. Mas nem tanto. No Brasil, 50% das residências são assistidas por essa estrutura fundamental para a vida dos habitantes. No Mato Grosso do Sul, a situação e ainda pior: apenas 43% dos moradores têm esse monte de tijolos e cimento em baixo da terra.

A transmissão da cólera e a rede de esgotos

Atenção, olhe para baixo. O preocupante estado dos solos.

A contaminação do ar e dos rios preocupa muitas pessoas mas a destruição dos solos é um assunto marginalizado na agenda econômica e na ecológica apesar de sua relação direta com a alimentação e a saúde humana.
A cada ano publicam centenas de estudos - e notícias - e lançam muitas campanhas sobre sobre a gravidade dos problemas com o ar e a destruição acelerada dos rios. À medida que a consciência ambiental cresce, se fala cada vez mais da necessidade de preservar as florestas e cuidar da biodiversidade. Em nosso Estado não cessam de multar fazendeiros que derrubam árvores. Apreensões constantes de armas e apetrechos de caçadores e pescadores são realizadas. Todas as crianças estão sendo educadas para a preservação e os cuidados ambientais. Mas há um recurso que é tão finito, é igualmente maltratado, cuja degradação afeta a todos os anteriores. E quase sempre esquecido por quase todos: o solo. Não há cuidados. Há defensores de araras, de quatis, de onças, dos rios... mas não há defensores do solo. Ninguém multa quem degrada o solo. Tratam o assunto como se fosse privado, problema do fazendeiro.
Para começar, não existem estudos sérios sobre a destruição dos solos do Mato Grosso do Sul. Alguns números inventados pelos fazendeiros e nada mais. Não há verbas para cientistas se debruçarem sobre o assunto. Há números de cuidados ambientais para tudo. O primeiro maior problema dos solos é a inexistência de números que sustentem esse grave problema.
A FAO - agência da ONU para a alimentação e agricultura - publicou há pouco um informe em que alerta a "realidade oculta" que é a degradação dos solos.
Muitas vezes associamos a degradação dos solos a desastres como de Chernobyl e de Fukiama, terremotos: mas é muito mais. Há aragens excessivas, há pisoteio abusivo, há poluição industrial, há poluição com pesticidas e há o tratamento municipal do lixo.
Há muitos tratados e convenções internacionais, mas sua efetividade é quase nenhuma. Na imensa maioria dos casos porque os países não dispõem de dados minimamente respeitáveis e nem capacidade efetiva para fazer cumprir as regulações a respeito. E não se avança na prevenção. Há velho ditado usado pelos fazendeiros: "porta para dentro" é ganho ou problema deles ("porta para fora", seria das autoridades). Nada mais equivocado. Brevemente não terão terra saudável para plantar ou criar bois. Não haverá nem porta.

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A solução de Dubai para reduzir as mortes nas estradas.

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Polícia feliz é a dos Emirados Árabes. Por lá, os agentes da lei andam de Bugatti, BMW e Mercedes-Benz. Todos top de linha. Se não bastasse a velocidade impar que esses carros trafegam e a enorme frota disponível para o combate ao crime, as autoridades criaram uma solução para garantir que os condutores cumpram as regras de trânsito. Como a foto demonstra, os agentes da lei decidiram recorrer à reprodução de carros feitas com cartão à escala real dos veículos de sua frota. O sistema pode ser risível, mas é complexo. Os "carros" de cartão mudam de lugar frequentemente e levam, no teto, as luzes e sirenes tradicionais. O efeito é cinematográfico. Cria a impressão de que há um carro de polícia em curtos intervalos nas estradas.

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