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Em Pauta

Almoxarifados brasileiros estão ultrapassados e iniciativa privada já percebeu

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 19/09/2013 07:30
Almoxarifados brasileiros estão ultrapassados e iniciativa privada já percebeu

ENQUANTO VOCÊ DORMIA...

Narra um Secretário de um Estado da Região Sul que percebeu exagero nas aquisições de materiais de consumo e de medicamentos feitos pela Secretaria de Saúde de seu governo. Depois de muito tentar entender e sem explicações convincentes, resolveu visitar um dos muitos almoxarifados da saúde. Levou um assessor e o motorista.

Ao estacionar o carro, percebeu a falta de cuidados. Capim alto tomava conta da frente do prédio que também estava sem ver a cor de tinta há dezenas de anos e apresentando muitas rachaduras. Chegando à porta, constatou que esta não fechava direito, tinha de ser empurrada com alguma força.

Continuando a narrativa, afirmou que ao procurar pelos funcionários responsáveis pelo almoxarifado os viu, de longe, dormindo. Teve uma ideia. Pegou o aparelho celular e fotografou tudo e todos.

A OPORTUNIDADE FAZ O LADRÃO...

Fez mais. Pediu ao assessor que entrasse no prédio, fazendo barulho normal e “roubasse” tudo que conseguisse carregar nas mãos. Também fotografou o pseudo-assalto. Este entrou, roubou e saiu do prédio sem que os funcionários do almoxarifado acordassem.

Frascos de água sanitária misturados a seringas. Medicamentos junto com vassouras. Uma bagunça.

Existe alguma diferença essencial entre este almoxarifado sulista e os demais do resto do país? Sejam eles de órgãos da União, de Governos de Estados ou de Municípios? Poder Executivo, Legislativo ou Judiciário?

Almoxarifados brasileiros estão ultrapassados e iniciativa privada já percebeu

ONDE ESTÁ O PROBLEMA, ENTÃO?

A resposta tranquila é: não! Não existe modernidade alguma nos almoxarifados brasileiros. Presas fáceis de pequenos e enormes roubos.

O erro começa pelo conceito. O de almoxarifado é obsoleto. A modernidade está instalada há mais de uma dezena de anos na iniciativa privada que criou a ideia de Centros de Distribuição – CD. A diferença de um almoxarifado para um CD é enorme.

O almoxarifado e a despensa de uma residência guardam o mesmo princípio

O CD é o avanço. A transformação para um novo patamar de organização.

As mercadorias que entram em um CD passam por um escritório onde são cadastrados usando uma pistola leitora de código de barra que tem a atenção de funcionários bem contratados. Não existem mercadorias que não tenham código de barra em um mercado de razoabilidade.

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CADASTRAR PARA CONTROLAR!

Desse escritório elas são levadas a um galpão com organização por ruas e endereços. Serão colocadas em um endereço exato que também está cadastrado com código de barra, pois poderão ser muitos. Este é o processo de entrada da mercadoria. Portanto, a mercadoria cadastrada tem endereço, dia de entrada, hora e nome de quem a armazenou. Muito difícil ocorrer um desaparecimento.

O processo de saída é semelhante. Tudo novamente cadastrado usando código de barra e contendo além do dia, hora e responsável o endereçamento correto do destino.

Na entrega da mercadoria o processo se repete.

Em resumo, temos pela frente a mudança de um procedimento analógico (na melhor hipótese) por um digital.

Campo Grande dispõe, há muitos anos de dois CD muito bem apetrechados: o pertencente à rede Comper e o da rede Bigolim. Basta estudar e investir na transformação para a modernidade.

Além de agilizar evita desaparecimento!

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Dunkin’ Donuts pede desculpas por comercial bizarro e racista!

A empresa de uma dos mais famosos donuts do mundo, Dunkin’ Donuts pediu desculpas depois de veicular um comercial na Tailândia com uma mulher com maquiagem preta para promover o seu novo donut chamado “charcoal” (carvão). Além da foto estranha, o racismo na propaganda é explícito. A mulher da propaganda é a filha do chefe executivo da filial tailandesa, o qual disse não ver racismo na propaganda, e tratou o assunto como “paranoia do pensamento americano”. Na Tailândia, a propaganda não causou grandes comoções, pois aparentemente eles estão acostumados a usar estereótipos raciais para promover produtos, como no caso de uma pasta de dente tailandesa que anunciava “é preta, mas é boa”.

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LOUCURA DAS MASSAS...

A tulipa – palavra originária do turco significando “turbante”- foi introduzida na Europa no século XVI. A tulipa passou a ser muito procurada pelos abastados na Holanda e na Alemanha. Ricos em Amsterdam recebiam bulbos dessas flores diretamente de Istambul e pagavam preços absurdos por eles.

A ansiedade de possuí-las contaminou as classes médias e mercadores, mesmo os de recursos moderados começaram a disputar a raridade dessas flores... e pagavam preços absurdos. À medida que a mania aumentou, os preços aumentaram. Em 1635 começaram a derreter todas as fortunas na aquisição das tulipas.

RAIZ FORTE E CARA...

Imaginem! Uma única raiz de tulipa foi trocada por: quatro bois gordos, oito porcos, 12 carneiros, duas barricas de vinho, 1.008 galões de cerveja, 504 galões de manteiga, uma cama, um conjunto de roupas, uma taça de prata, 3.688 quilos de farinha, 7.378 quilos de centeio e 453 quilos de queijo.

Os especuladores de tulipa jogavam na ascensão e na queda dos preços dessa flor. Tiveram grande lucros comprando quando os preços caiam e vendendo quando subiam.

Alguns indivíduos ficaram ricos repentinamente.

Milhares faliram!

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HORA DE ACORDAR...

Enfim, os mais prudentes começaram a ver que essa loucura não duraria para sempre. Os novos ricos não compravam as flores para tê-las em seus jardins, mas para vendê-las.

Perceberam que quase todos perderiam terrivelmente no final. Como essa convicção se espalhou, os preços caíram. A confiança foi destruída e um pânico gigantesco se apossou da população. Comerciantes de grande porte foram reduzidos quase à mendicância.

Assim o assunto ficou. Encontrar uma solução estava além do poder do governo.

O episódio ficou conhecido como “loucura das massas”.

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ENFIM!

Quem conhece a história nunca entrou, ao longo dos séculos, nas muitas “bolhas de crescimento” como conhecemos esse fenômeno hoje em dia. Vale muito para o mercado de ações e no mobiliário. Vivemos uma imensa e preocupante expansão no setor da construção civil, no dos automóveis populares e foi dada a largada para a aquisição de móveis e eletrodomésticos. Pirâmides? Nem pensar. Só se estiver na fase da loucura onde se rasga dinheiro.

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DÉJÀ VU...

A construção da estrada de ferro transformou a economia sul-mato-grossense. Promoveu mudanças nas poucas cidades então existentes, transformou a vida cotidiana da população.

Uma obra, muitas mudanças. Essa estrada foi construída para atender aos interesses da política externa do Brasil, concentrada na idéia de atrair para a órbita brasileira os países vizinhos. Quem garante este entendimento é o maior estudioso da NOB, o douradense Paulo Cimó Queiroz.

Ele também afirma que os responsáveis pela ferrovia tinham plena consciência de que o trecho em nosso Estado seria economicamente deficitário. Todavia, produziriam efeitos econômicos que ao longo do tempo seriam benéficos para a Nação.

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HORA DE RECORDAR!

Estamos às vésperas da licitação que determinará os novos responsáveis pela manutenção e modernização das três principais estradas automotivas que cortam nosso Estado, atualmente nas mãos do Governo Federal. Fazem parte do PND (Programa Nacional de Desestatização). Teremos estradas pedageadas. Os empresários terão de investir R$ 9 bilhões na duplicação de 1.369 km, sinalização moderna, pontes e viadutos.

Todos os sul-mato-grossenses que se debruçaram para estudar esses projetos declararam a inviabilidade econômica de dois deles.

A história se repete? Estamos vivenciando a primeira metade do século XX travestida de século XXI? A União ainda pensa em transformar os países vizinhos em satélites com estradas em boas condições de trafegabilidade anti-econômicas?

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ORDEM!

Elas estão por aí e é hora de pôr ordem na casa. Nesta semana, parlamentares integrantes da Comissão de Educação e Esporte do Senado aprovaram o projeto de lei que disciplina as empresas juniores. O objetivo é dar o norte para criação e organização das entidades que são formadas por estudantes de graduação. As empresas juniores são ligadas a universidades. Com o projeto, o autor da proposta, senador José Agripino (DEM-RN) quer estimular o empreendedorismo entre os estudantes. Este tipo de organização desenvolve importante papel junto às micro e pequenas empresas oferecendo consultorias para as que não tem condições financeiras de bancar os serviços. Hoje, há pelo menos 27 mil estudantes que integram as empresas juniores. Com o projeto de lei, a expectativa é de maior segurança jurídica aos participantes.

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