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09/09/2019 06:31

Ano 2059. As diferenças sociais permanecerão iguais

Mário Sérgio Lorenzetto
Ano 2059. As diferenças sociais permanecerão iguais

A Europa criou o ditado: "você é o seu CEP". Algo que possa nos parecer estranho, mas é indiscutível: você será rico se nascer em um bairro rico; será pobre se nascer em uma favela.
Agora estamos no ano 2059. A bioengenharia permitirá melhorar as capacidades intelectuais de cada indivíduo. Mas só quem puder pagar modificará sua genética para ter um Q.I. de 130. Só para os ricos? Não. Uma organização filantrópica chamada "Projeto pela Igualdade Genética" custeará essa experiência para algumas famílias pobres. Mas seus resultados resultarão decepcionantes.

Ano 2059. As diferenças sociais permanecerão iguais

A criação de um novo sistema de castas.

Poucos dos beneficiários dessa espécie de bolsa para melhoria genética chegarão às universidades de elite ou alcançarão a excelência profissional. Em conclusão: "Estamos presenciando a criação de um novo sistema de castas, mas não baseado nas diferenças biológicas que resultem em capacidades, e sim um que usa a biologia para justificar e afiançar as diferenças de classe já existentes". O relato é de Ted Chiang, exitoso autor de ficção-científica e foi publicado em uma série de crônicas desde o futuro que The New York Times encomendou aos mais importantes pensadores.

Ano 2059. As diferenças sociais permanecerão iguais

Melhoraremos nossas mentes, mas...

No meio científico não há dúvida de que melhoraremos nossas mentes dentro de alguns anos. Todavia, seguiremos pensando em nosso progresso social baseado na família e no contexto social; como dizem os europeus: somos nosso CEP. As modificações genéticas cerebrais serão só um mérito no currículo, como um MBA. A nova elite será a do passado, os de sempre. Não seremos super homens iguais.

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Basta um chip?

Há experiências que estão acontecendo em laboratórios com a implantação de chips em cérebros para adquirir capacidades intelectuais. É o que antecipa na mesma série do The New York Times a cientista Susan Schneider. Sua visão não é menos desalentadora que a de Ted Chiang. Poderemos escolher entre distintos enxertos como se entrássemos em uma loja para escolher uma camisa. O mais nebuloso se chama "Merge". Permitirá aumentar as funções mentais transferindo-as à nuvem, tal como ocorre com nossos celulares. Schneider faz uma pergunta inquietante: depois disso, continuaremos sendo nós mesmos?
Pense, sacrificaria sua identidade, sua consciência, para competir melhor? Responda em poucos anos.

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