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30/11/2018 09:14

Comer muito e não engordar, o mito das calorias negativas

Mário Sérgio Lorenzetto
Comer muito e não engordar, o mito das calorias negativas

O pressuposto desse mito tem lógica. Todo Yin tem seu Yang. A força dos Jedi tem seu reverso tenebroso. Cada herói seu arqui-inimigo. Nesse contexto, seria normal a ideia da existência anticalorias ou calorias negativas, para contrabalançar com o consumo de calorias, um dos maiores vilões de nosso tempo. A realidade é que tanta dualidade positiva e negativa responde melhor ao simplismo de nossos processos lógicos - bastante ilógicos em muitas ocasiões.

Comer muito e não engordar, o mito das calorias negativas

A origem da criminalização das calorias.

O culpado da perversa invenção das calorias foi o químico norte americano Wilbur Olin Atwater (1844-1907). Sem saber que estava abrindo a "caixa de Pandora", foi ele quem publicou, em 1902, as primeiras tabelas de composição de alimentos em seu livro "Principles of nutrition and nutritive value of food". Descrevia o conteúdo de macronutrientes - carboidratos, lipídeos e proteínas - em cerca de 500 alimentos, atribuindo-lhes, além disso - aqui está o princípio da ideia -, um determinado aporte de calorias.

Comer muito e não engordar, o mito das calorias negativas

Um altar erigido à lei da conservação de energia.

Vale destacar que, mais além das tabelas propriamente ditas, já se passaram 116 anos que nos separam de sua publicação e elas seguem quase iguais.

O grosso da mensagem anticalorica apregoada por Atwater, antigordura em sua essência, deriva a atual teoria do balanço energético, medido em calorias, é claro.

O livro constrói um altar à lei da conservação de energia, que a maioria da população tem gravada no cérebro. Por exemplo, que quanto menos você se mover e comer em demasia, mais gordo ficará. Também deixa explícito que as gorduras são o macronutriente que mais caloria aporta por grama.

Comer muito e não engordar, o mito das calorias negativas

As calorias negativas não existem.

O conceito é tentador. A internet está abarrotada com essa ideia de caloria negativa. Todos irmanados na grande emoção de poder saciar a vontade de comer muito sem engordar, ou melhor ainda, comer muito e emagrecer. Há até livros tratando " cientificamente", sem base científica alguma, dessa ideia lógica, mas errônea. Sustentam que certos alimentos, segundo sua particular composição, requerem de nosso organismo um aporte maior de energia para mastigá-los e digeri-lo que a energia que acrescentam ao nosso organismo. Dessa forma, o balanço energético final entre as calorias gastas em seu processamento e as contidas no alimento resulta negativo. É essa a proposta das calorias negativas. Assim, quanto mais come, mais calorias gasta. Há dezenas de listas - todas errôneas - que compilam os alimentos com supostas calorias negativas. A maioria inclui pepino, alface, brócolis e rabanete. Também afirmam que "são mais negativos" quanto menos cozinhados estejam. Na prática, não é correto manter um adequado estado de saúde comendo só alimentos como os mencionados. Mas o mais claro é que não é possível mensurar esse efeito tão desejado de comer muito e emagrecer. Não há estudo científico válido que corrobore essa tese.




Mário Sérgio Lorenzetto, tenho uma dúvida acerca da inexistência das calorias negativas. Se "não há estudo científico válido que corrobore essa tese", como afirmar que elas NÃO existem? Há algum estudo científico que alicerce esta sua afirmação?
 
Gi Ma em 28/12/2018 15:07:00
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