Leite fraco, canjica e cerveja preta: o que é mito na amamentação?
Frases como “seu leite não está sustentando” ou comparações com outras mães podem aumentar a insegurança

Quando o bebê nasce, é a mãe quem amamenta. Mas isso não significa que ela tenha que dar conta de todo o resto sozinha. Trocar uma fralda, preparar uma refeição ou simplesmente evitar aquele palpite que ninguém pediu também são formas de participar da amamentação.
No Agosto Dourado, mês de conscientização sobre o aleitamento materno, a médica e docente da Afya Educação Médica Campo Grande, Bruna D’Avila, chama atenção justamente para o peso que a rede de apoio pode tirar dos ombros de quem amamenta.
Nos primeiros meses, cansaço, noites mal dormidas e dúvidas fazem parte da rotina. É nesse período que parceiros, avós, familiares e amigos podem ajudar de maneira prática, dividindo tarefas da casa e os cuidados com o bebê entre as mamadas.
Também vale segurar os palpites. Frases como “seu leite não está sustentando” ou comparações com outras mães podem aumentar a insegurança em um período que já exige adaptação.
A amamentação não é uma prova de desempenho. A melhor rede de apoio é aquela que reduz a sobrecarga da mulher e aumenta sua segurança. A mãe precisa se sentir cuidada para conseguir cuidar”, destaca Bruna D’Avila.
E o tal do “leite fraco”?
Esse é um dos mitos que ainda sobrevivem quando o assunto é amamentação. Segundo a médica, não há fundamento científico para a ideia de que algumas mulheres produzam um leite “fraco”.
O leite materno muda ao longo do tempo e se adapta às necessidades da criança. Até diferenças na aparência e na duração das mamadas são esperadas.
Outro erro comum é associar todo choro à fome. O bebê também pode chorar por sono, frio, desconforto ou simplesmente porque quer contato.
E aquela receita da família para produzir mais leite? Canjica, cerveja preta e determinados chás não fazem milagre.
“A produção de leite obedece ao princípio da oferta e da demanda: quanto mais frequente e eficiente for a remoção do leite da mama, maior será o estímulo do organismo. O que a mãe precisa é de uma alimentação variada, boa hidratação e tranquilidade, e não de receitas mágicas”, pontua.
O consumo de bebidas alcoólicas também deve ser evitado durante a lactação.
Dor não precisa virar rotina
Mãe e bebê aprendem juntos a amamentar, mas dor intensa ou persistente não deve ser encarada simplesmente como parte obrigatória do processo.
Fissuras nas mamas, vermelhidão, febre, dificuldade frequente de pega e posicionamento ou problemas no ganho de peso do bebê são situações em que a orientação profissional deve ser procurada.
O mesmo vale quando a mãe chega ao limite físico ou emocional. Esgotamento, angústia e sensação de sobrecarga também merecem atenção.
Atendimentos gratuitos em agosto
Durante o Agosto Dourado, a Afya Educação Médica Campo Grande oferece atendimentos e exames gratuitos. Os procedimentos são realizados por médicos de cursos de pós-graduação, sob supervisão de professores especialistas.
No dia 22 de agosto, haverá ultrassonografia, psiquiatria, dermatologia e endocrinologia. Já em 29 de agosto, o atendimento será de pediatria.
Os atendimentos serão realizados na Rua Sergipe, nº 719, em Campo Grande. A disponibilidade de vagas pode ser consultada pelo WhatsApp (67) 99885-9556.
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