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Em Pauta

Covid-19: avançam os testes com plasma de infectados

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 16/05/2020 08:43
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

No momento, as maiores esperanças de tratamento razoavelmente eficaz contra o covid-19 estão depositadas no plasma de infectados. Essa é uma solução que surgiu na pandemia da gripe espanhola. Naquela época, curou em torno de 48% dos infectados. À primeira vista, pode parecer um resultado baixo, mas pode ser alentador com as novas técnicas que os cientistas estão empregando.


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O problema dos laboratórios de alta segurança.

Para obter o anticorpo, retirado do plasma de infectados, a melhor maneira é colocá-lo para lutar contra o covid-19 sobre um cultivo de células humanas sadias. Essa técnica, permite que descubram os anticorpos mais efetivos, aqueles que destroem o vírus sem maiores esforços e consequências. Todavia, há uma grande barreira para essa técnica, só pode ser realizada em laboratórios de alta segurança, os chamados "nível P-3". Adivinhem onde existem tais laboratórios? Quem respondeu EUA e China ganha uma medalha de "sabichão". E aí entra um problema muito sério. Quem lembrou dessa técnica foram os espanhóis. Também foram eles que começaram os primeiros testes com plasma de infectados. Todavia, os EUA e a China avançaram.... e deixaram a Espanha para trás, pois na Península Ibérica não existem tais laboratórios. Como no Brasil, os espanhóis só trabalham com técnicas antigas dentro dos hospitais. É óbvio que um laboratório nível P-3 não pode estar situado em um hospital.


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A técnica inventada pelos chineses.

Os chineses estão testando com uma técnica diferente da adotada nos EUA. Estão empregando animais humanizados que produzem a proteína AC2. Essa é a proteína que o covid-19 usa para invadir nossas células. Nesta semana, um grupo de cientistas chineses, em um estudo publicado na revista "Science", demonstrou que dois anticorpos isolados de um paciente foram capazes de reduzir o nível do vírus nos pulmões e um deles impediu que aparecessem lesões nesse órgão. Esse é um estudo razoavelmente avançado.


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A técnica conjunta dos chineses e norte-americanos.

Há um outro trabalho, ainda preliminar, estudado por chineses e norte-americanos, em que um paciente (observem bem, só um paciente) gerou a estupenda quantidade de 200 anticorpos diferentes contra o covid-19. Desses 200 anticorpos, dois deles são simplesmente maravilhosos, foram capazes de matar 99% dos vírus. Há outros países europeus estudando com essa técnica, mas não há informações sobre resultados, ainda que preliminares.


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A Espanha e o Brasil estudam jovens e idosos.

A Espanha e o Brasil usam técnicas mais simples. Como não dispõem de laboratórios "nível P-3", procuram por quem podem ser os melhores doadores de plasma de infectados. No princípio, foram atrás de jovens que tiveram a enfermidade com sintomas leves. Depois, verificaram que o correto seria o contrário: idosos com sintomas graves. Há 30 hospitais na Espanha correndo atrás de doadores.  Hospital Sírio-Libanês, Hospital das Clínicas, Hospital Albert Einstein e um Hospital de Ribeirão Preto, estão realizando os mesmos testes espanhóis. Procuram pelos super-heróis que podem doar anticorpos que matem eficazmente o vírus desgraçado.