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12/12/2016 07:08

Das Olimpíadas à eutanásia: a última prova de Marieke

Mário Sérgio Lorenzetto
Das Olimpíadas à eutanásia: a última prova de Marieke

Devemos falar de suicídio? E de eutanásia? Esse é um tema muito espinhoso, mas a eutanásia vem sendo praticada nos hospitais do mundo todo sem que ninguém tenha a coragem de pelo menos colocar a público. Tornou-se uma decisão pessoal ou familiar, ainda que ilegal, mas uma ilegalidade muda e surda.

Marieke Vervoort completou 37 anos, mas já sabe onde deseja que coloquem suas cinzas quando morrer. Tem um rosto juvenil, o cabelo curto e loiro e riso fácil. Tem duas medalhas olímpicas e um cão chamado Zen de quem nunca se separa. Também tem uma figura de Buda que lhe dá paz.

A metade inferior de seu corpo está paralisada e a visão está reduzida a 20%. O pior são as dores que a impedem dormir. Marieke assinou um documento para seu médico que colocará para dormir para sempre quando desejar. A Bélgica, seu país, o permite. Mas isso ainda levará alguns anos.

Sua vida não foi sempre assim. Tudo começou com uma dolorosa inflamação em um de seus pés, aos 14 anos. Problemas que se estenderam para os joelhos. Aos 20, já dependia de uma cadeira de rodas e decidiu parar de estudar. Queria ensinar. Ser professora de crianças. No meio, operações sem resultado e angústia de ver como seu corpo perde poder sem saber o que tem. O incerto diagnóstico fala de uma doença degenerativa incurável. Antes disso era uma menina ativa.

Praticava jiu-jitsu, natação e ciclismo. A perda da mobilidade acelerou seus treinos no basquete em cadeira de roda e no triatlo. Mudou para o atletismo.

Toda sua família aceita sua decisão da eutanásia. Ninguém procura convencê-la do contrário. A Bélgica é o país do mundo com as leis mais permissivas. Cinco pessoas fazem eutanásia por dia nesse pais. Até o menores de idade podem fazer eutanásia, desde que tenham o consentimento dos pais e um documento de psiquiatras que corroborem. Isso não significa que seja um tramite rápido. Para colocar sua assinatura no documento de eutanásia, Marieke teve de, longamente, convencer seu psiquiatra que sua decisão não estava sendo tomada em um estado de animo pontual e provar a três médicos diferentes que suas dores são tão intensas que não pode viver com elas.

Suicidar ou fazer eutanásia são, no fim, sinônimos de um intenso e insuportável sofrimento. Mas, é algo extremamente difícil de debater. Talvez apenas a religiosidade consiga dar algum amparo a aqueles que tomam o posicionamento de sair da vida pela própria vontade.

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Bernal, do buraco raso ao profundo

Restam poucos dias para Bernal se livrar das garras da justiça. Sua caótica administração será exaustivamente processada. Iniciou como os buracos das ruas - inicialmente rasos. Com a continuidade da péssima condução dos negócios públicos, foi crescendo. Hoje, é uma descomunal cratera. A profundidade da incompetência e loucura já foi resolvida pelas urnas, falta a justiça se pronunciar. Até o presente momento apenas o TCE tenta coibir as últimas atitudes nefastas dessa administração.

Qual o tamanho do destroço que legará a Marquinhos Trad é a indagação que se ouve nas ruas. Não duvidem, será de grandeza nunca antes vista em Campo Grande. Essa dança de adversários-companheiros entre Marquinhos e Bernal não pode continuar. A realidade da administração tem de vir a público. Até mesmo para o Marquinhos ter condições de explicar as duras medidas que terá de tomar nos primeiros tempos de seu mandato. Caso contrário, pulará nas profundidades do buraco deixado por Bernal.

 

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"Nós jejuamos". A moda de passar fome para aumentar a produtividade.

Uma comunidade de especialistas em tecnologia da Califórnia acredita ter encontrado uma vantagem no jejum. Segundo eles, a produtividade aumenta nos dias que não se alimentam. Relatam ter uma sensação de maior agilidade mental e capacidade de concentração. A moda de passar fome está ganhando as manchetes dos jornais norte-americanos da região do Pacífico mais que a vitória de Trump. Mas essa é uma região que adora odiar o novo presidente.

Com o nome de "WeFast" (Nós jejuamos), o grupo que reúne milhares de adeptos, se reúne para tomar um farto café da manhã às terças-feiras. Passam o resto do dia e da noite sem se alimentar. Reúnem-se novamente no dia seguinte para outro café com muitas calorias. Os cafés da manhã coletivos funcionam como reuniões de apoio, em que os adeptos trocam experiências e dicas sobre jejum.

É possível que eles tenham razão. Os Estados Unidos são um país de obesos e jejuar será benéfico para muitos. Mas eles também tentam dar um caráter de cientificidade para o jejum que praticam. Afirmam que um estudo da Universidade John Hopkins, revelou que diferentes formas de jejuar podem ter um efeito significativo sobre o corpo humano, promovendo uma vasta gama de mudanças a nível celular e atingindo muitos sistemas metabólicos, como o fornecimento de combustível para o cérebro ou a maneira como o organismo reage ao estresse.

O jejum talvez seja benéfico para muitos deles. Mas, como todas as modinhas alimentares, dietas famosas e congêneres, são falíveis com o passar do tempo. Não se perpetuam, não criam novos costumes. Pior, sem nenhuma sombra de dúvida, o jejum causa irritabilidade, fortes contrações no estômago e mal-estar. Experimentem um dia.

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Um rato com cérebro humano. O retorno das quimeras para criar órgãos humanos.

Pode parecer insólito que a primeira referencia de um artigo científico seja a Ilíada. Esse texto magistral de Homero descrevia uma quimera com cabeça de leão, corpo de cabra de cauda de serpente. A elite da biologia mundial deseja agora ressuscitar as quimeras. O objetivo é claro: produzir em cabras ou em porcos, órgãos humanos que possam ser transplantados para quem deles necessite.

Falar de quimeras no século XXI nada tem a ver com a mitologia grega. Os laboratórios de vanguarda no mundo quase não fazem outra coisa que tentar criar quimeras. Quimeras entre galinhas e codornizes. Quimera entre rato de laboratório e um primo do campo. Quimeras entre ratos e ratas. Entre ovelhas e cabras e entre duas espécies de vacas que ninguém recordava que tinham origem comum. Mas o grande objetivo são as quimeras entre humanos e outros animais. E elas existem (ainda que clandestinas) em grande quantidade conforme um artigo publicado recentemente na Nature - a mais importante revista científica do mundo. Raramente publicam suas experiências. Mas Steven Goldman e sua equipe da Universidade de Rochester (EUA), publicaram informando que o transplante de células humanas nos lóbulos frontais do cérebro de ratos, estimulou a memória, a capacidade de aprendizagem e a plasticidade sináptica (a capacidade dos circuitos neuronais para adaptar-se a seu entorno). Éramos uma mesma espécie há 200 milhões de anos, e nossos neurônios e os dos ratos ainda conseguem entender-se. Interessante e estremecedor.

A elite da biologia mundial está convencida de que com a edição de genes pela tecnologia CRISPR (esta coluna já tratou dessa tecnologia dezenas de vezes) poderemos converter alguns animais, especialmente porcos e macacos, em verdadeiros incubadores de órgãos humanos. Criam orelhas nos porcos e transplantam em humanos, por exemplo.



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