Nossos avós eram baixinhos. Eles tinham 1,62m e elas 1,51m
Ao longo da vida, conheci algumas casas antigas de fazenda no Mato Grosso do Sul. Todas eram baixas. A casa de José Antônio Pereira, resistindo ao tempo nas redondezas de Campo Grande, é baixa. Fui a Portugal e percebi que as casas antigas tinham essa estatura, são de pequeno pé direito. Também fui a Guipuzcoa, na Espanha, onde está a única casa de fazenda medieval conservada. Uma fazenda onde produziam um aguardente de maçã. A altura era a esperada: baixa.
Uma ideia errada.
Construí a ideia de que a temperatura fria da Península Ibérica determinava o tamanho das casas. Conservava o calor facilmente. Como essa arquitetura foi transferida equivocadamente para o Brasil, nossos avós construíam casas de pequena estatura. Estava redonda e quadradamente errado. Só descobri que minha teoria era falsa quando conheci os estudos de história antropométrica. Uma história que conta a estatura e o peso de nossos avós. História que remete à altura das casas. Gente baixa, constrói casa baixa.
Evolução histórica da estatura dos sul-mato-grossenses.
O sul-mato-grossense ficou significativamente mais alto a partir dos anos 50 do século passado, quando ganharam algo como 10 centímetros. Foi um reflexo das melhorias na saúde, nutrição e urbanização. Até os primeiros anos do 1.900, os homens desta região tinham em média 1,62m, enquanto as mulheres tinham 1,51m . Eram baixinhos. Isso determinava também o tamanho de suas casas.
Os baixinhos fazem a história.
Michelângelo, Picasso e Van Gogh, eram baixinhos. Napoleão, tido por alguns, como o maior comandante militar da história, era famoso por sua baixa estatura. Maradona e Romário eram chamado por todos de baixinhos. Tom Cruise e Daniel Radicliffe, escondem sua estatura, mas são baixinhos. O tamanho importa? Talvez. Em algumas sociedades, como a holandesa, onde vivem os mais altos humanos, o tamanho é documento. No Mato Grosso do Sul, a altura tem importância residual.
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