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Em Pauta

O casamento era de Deus, do Diabo ou da Morte

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 27/06/2026 07:00
O casamento era de Deus, do Diabo ou da Morte

De maneira geral, o Mato Grosso do Sul se desenvolveu graças a diminutos núcleos populacionais. Vilarejos fundados pelos primeiros brancos que tiveram a audácia de aqui chegarem. Eram poucas e pouco habitadas. Se sacássemos Aquidauana, Miranda e Bodoquena de nosso mapa, é possível exagerar que não existiam seres humanos neste imenso território. Era mato… e apenas mato. Essa realidade levava a um verdadeiro drama para os jovens. Onde encontrariam moças para casar? Para as moças, era ainda pior.


O casamento era de Deus, do Diabo ou da Morte

Casamento ajudava a viver mais e melhor?

Como hoje, tudo indica que sim, desde que os parceiros fossem bem escolhidos. A indissolubilidade do casamento, pela doutrina da Igreja Católica, era usada como argumento para uma escolha bem pensada. O cônjuge era examinado, avaliado e só então escolhido. O principio que norteava tal escolha era o principio da igualdade: diziam que “Se queres bem casar, casa com teu igual”. O racismo era explicito para todos. Casar com mocinhas indígenas só em ultimo caso. Inaceitável. Ainda que com elas tivessem filhos….


O casamento era de Deus, do Diabo ou da Morte

Três classes de casamento.

Havia três classes de casamento. O primeiro era o casamento do Diabo, isto é, do moço com a velha. O segundo era o casamento de Deus, o mais almejado e difícil: quando os dois eram jovens. Por fim, o casamento da Morte: do velho com a moça. Os casados moços podiam viver com alegria. As velhas casadas com moços viviam em perpétua discórdia. Os velhos casados com moças apressavam a morte: “Ora pelas desconfianças, ora pelas demasias”. Assim pensavam, mas não era como agiam. A realidade imposta era bem diferente.


O casamento era de Deus, do Diabo ou da Morte

Velhos com mocinhas: a imensa maioria.

Não encontrei uma estatística sul-mato-grossense para os primeiros decênios do MS, mas há uma paulista que dá boa ideia de como casavam os jovens. Apenas seis casais de SP tinham a mesma idade (4%). Em 141 casais, o marido era bem mais velho que a mulher. Tudo indica que homens mais velhos tinham situação melhor, tornando-se, por isso, atrativos. Casais com mulheres mais velhas eram poucos: apenas 7%. O casamento da Morte era a vida.

 

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