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Em Pauta

O conto do vigário chamado suplemento antioxidante

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 20/10/2021 07:00
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Dois termos vistos normalmente em debates sobre envelhecimento são os "radicais livres" e os "antioxidantes". Os radicais livres são fiapos de resíduo  celular que se acumulam no corpo no processo do metabolismo. Eles são um subproduto do oxigênio que respiramos. Como afirmou um toxicologista: "O preço bioquímico de respirar é envelhecer". Já os antioxidantes seriam moléculas que neutralizariam os radicais livres. Então, a ideia é que se você tomar um monte deles, na forma de suplementos, conseguiria compensar os efeitos do envelhecimento. Infelizmente, não há uma só evidência científica de que os antioxidantes funcionem.


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De uma revista para mulheres ao Top mundial de vendas.

A maioria quase certamente nunca teria ouvido falar de radicais livres ou antioxidantes se um químico na Califórnia chamado Denham Harman não tivesse lido um artigo sobre envelhecimento em 1945  no "Ladies Home Journal" que pertencia à sua esposa. Dessa leitura, Harman imaginou a teoria de que os radicais livres e os antioxidantes são centrais no envelhecimento humano. A ideia de Harman nunca passou de um palpite, um "chute". Mas é ainda pior, a pesquisa provou que estava errada. Mesmo assim, esse chute pegou e não largou mais. A venda de suplementos antioxidantes hoje movimenta 2 bilhões de dólares anuais.


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Conto do vigário.

"É um grande conto do vigário", disse a University College London, à revista científica "Nature" em 2015. "Essa história da oxidação e do envelhecimento continua na moda porque é perpetuada pelas pessoas que lucram com ela". "Alguns estudos sugerem que na verdade os suplementos antioxidantes podem fazer mal", noticiou o New York Times. O principal periódico especializado. "Antioxidants and Redox Signaling", publicou em 2013 que "a suplementação de antioxidantes não baixou a incidência de muitas doenças associadas à idade, mas, em alguns casos, aumentou o risco de morte". É como tomar "garrafada" do Mercadão de Campo Grande. Só serve para doer no bolso.

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