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06/12/2019 06:35

Pisa: a má educação dos brasileiros comprovada

Mário Sérgio Lorenzetto
Pisa: a má educação dos brasileiros comprovada

Saiu o relatório Pisa. Fizemos o que fazem os mais estudantes, negamos qualquer autocrítica e buscamos desculpas ante as más notas. As notas foram ruins, como sempre. E, para piorar, não há uma mínima luz nesse túnel escuro da ausência do saber. O Brasil não está a procura de um pacto que encaminhe a melhoria da educação de seu povo. Também não discute os dois melhores modelos educativos do mundo - o finlandês e o chinês. Só discute se o ministro pertence às hostes demoníacas ou angelicais, um debate que corrobora a má nota dada pelo Pisa. Ele é apenas mais um incompetente na longa lista - talvez eterna - daqueles que o antecederam.

Pisa: a má educação dos brasileiros comprovada

O modelo chinês, que disparou como a melhor educação do mundo.

A China continental se situa em primeiro lugar no informe Pisa com uma média de 578 pontos. A região chinesa de Macau levou a medalha de bronze, com 542 pontos. Está à frente de Hong Kong, com 530 pontos. Só outro país asiático, Cingapura - em segundo lugar com 556 - conseguiu interpor-se na hegemonia do sistema educativo chinês. A China triunfa em tudo: leitura, matemática e ciências.

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Os pequenos soldados chineses.

Há três razões fundamentais que explicam tamanho sucesso: a primeira é o fato de que a escolarização dos filhos é um dever de toda a família, também é o primeiro gasto de cada lar chinês. A segunda é que o método chinês de educação dá um peso muito grande para a memorização. E, por último, para os chineses a educação equivale a uma clara e efetiva mentalidade de crescimento. Não há vitória individual, familiar ou patriótica sem uma boa educação para os chineses. Não há essa historieta deplorável, construída no Brasil, de que é possível vencer sem estudar. Muito pelo contrário, os estudantes chineses estudam, em média, 55 horas semanais. Estão muito acima da média geral de 44 horas por semana. Há uma forte carga de patriotismo para cada estudante. Não à toa os detratores do sistema chinês os chamam de "pequenos soldados". Tem forte odor de um bolsonarismo utópico, um bolsonarismo que elevaria o país a patamares nunca almejados.

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Os estudantes finlandeses decidem como e o que aprendem.

Em finlandês os verbos não se conjugam no futuro. Isso dá uma ideia de sua atitude perante a vida. O lema da Finlândia é: "posso fazê-lo e vou fazê-lo". São incrivelmente determinados. Também estão em constante transformação. Não param nunca de mudar, mesmo quando são vitoriosos. Não há aquela ideia brasileira de que "em time que está ganhando não se mexe". Seu sistema de educação é a antítese do chinês, advogam pelo tempo livre. Enquanto boa parte dos estudantes chineses entra no meio da manhã na escola e só sai pela noite, na Finlândia não há maratonianas jornadas de estudo. Mas, por outro lado, são incrivelmente responsáveis. Um projeto dado a um estudante, sempre será um projeto cumprido, custe o que custar. Não há corpo mole. Não há preguiça. Trabalham com a ideia de projetos e não de idiotas tarefinhas "me engana que eu gosto", que é o cerne da educação brasileira. Os projetos que os estudantes trabalham na escola e em casa são de longo prazo e de grande dificuldade. Mas são eles que escolhem os projetos que estão dispostos a aprender.
Qual educação é a melhor? Os melhores resultados são chineses. Todavia, os finlandeses há muito estão no topo, façanha só agora alcançada pela China. O que importa é o rumo. Nossa educação é uma biruta de aeroporto.

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