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Em Pauta

Por que cansamos do distanciamento e lavar as mãos

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 03/06/2020 08:13
Campo Grande News - Conteúdo de Verdade

Quase todos os Estados estão começando a abrir suas empresas. Grande parte do crédito é atribuído àqueles que obedientemente, seguiram o comportamento prescrito pelos médicos e cientistas. Até agora, vimos poucos Estados onde os hospitais entraram em colapso. Particularmente, no Mato Grosso do Sul, as taxas de infecções e mortes eram diminutas em comparação com os demais Estados. Eram, avisam as autoridades médicas, à partir de agora, especialmente nos frigoríficos e festas, tendemos a encher os hospitais.


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Até quando manteremos a vigilância?

É bem provável que tenhamos de manter a vigilância - distanciamento social e lavar as mãos - por várias semanas, talvez meses. O problema é que as pessoas não enxergam os benefícios de suas ações -, e, portanto, muitas vezes não reconhecem a importância deles. Como resultado, a adesão a esses comportamentos protetores começa a diminuir ao longo do tempo, desde que não existam políticas públicas para sustentá-los.


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Benefícios intangíveis.

Uma das razões para a diminuição dos cuidados é que os benefícios são intangíveis, você não pode tocar, provar, sentir ou enxergar aquilo que lhe é benéfico no caso da infecção pelo vírus. Um dos motivos deles serrem intangíveis é que as pessoas tendem a ser insensíveis a números dramáticos. Qual a diferença de uma chance em mil ou uma chance em um milhão de ser infectado pelo vírus? Esse números soam iguais para a imensa maioria das pessoas.


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Estudos que mostram a ineficácia dos números de saúde pública.

Os números pouco dizem para a população. Alguns estudos já demonstram a ineficácia. O primeiro deles, mostrou que as pessoas estavam dispostas a pagar mais por alimentos desde que o risco de contaminação por pesticidas caísse de 5 em 10.000, mas não aceitavam pagar um centavo a mais se fosse para derrubar o risco de contaminação de 15 em 10.000 para 10 em 10.000. Outro estudo demonstrou que as pessoas aceitavam pagar por uma vacina que levava o risco de 10% de adquirir uma doença, mas não aceitavam pagar nada por outra que reduzia o risco de 20% de contrair uma doença para 10%. Mas há, ainda, um que é risível: o estudo descobriu que uma vacina descrita como 100% eficaz na prevenção de 70% dos casos conhecidos era mais atraente que uma vacina que era 70% eficaz na prevenção de todos os casos. Observe que ambas tem o mesmo efeito. Enquanto as autoridades sanitárias não se convencerem de que devem mudar a pedagogia de suas explicações, continuaremos a observar a fuga para o caos daqueles que se cansaram de atender suas drásticas medidas. Parem de apresentar tantos números, façam comparações de riscos. Você são péssimos professores.


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Impacto invisível.

Está claro para os estudiosos que não obtemos feedback útil para nossas ações protetivas. O vírus é invisível, não temos ideia se o tínhamos antes de lavarmos as mãos ou nos livramos deles depois que lavamos. Também não recebemos comentários sobre como nossas ações protetoras mudaram a probabilidade da infecção. Se todas as nossas ações funcionarem, o resultado é que não adoecemos. Mas não estarmos doentes era o estado em que nos encontrávamos antes de adotar as ações protetoras. Assim, parece que não fizemos nada, e nos cansamos muito rapidamente desse estado de "não fazer nada". Os estudos que validam a ideia do "impacto invisível" já foram feitos em outras doenças. Sabem qual é a adesão para o uso de medicamentos diários para diabéticos agudos? As taxas de adesão são sombrias, péssimas. Há outro. Um ano após a hospitalização por ataque cardíaco, metade dos pacientes deixa de tomar os medicamentos que devem tomar diariamente até o fim da vida.