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Em Pauta

Proclamação: como a monarquia "caiu de maduro"

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 15/11/2021 11:44
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Há uma corrente de historiadores que cria o mito de um golpe militar na proclamação da república. Essa tese, daqueles sedentos por aumentar o número de golpes militares, não se sustenta em pé. Seria possível imaginar um plebiscito para o povo escolher o regime. O povo nem mesmo votava. Mas é muito além, o reizinho estava cansado e farto de seus desmandos e viagens turísticas. Também havia perdido o apoio dos fazendeiros, o ultimo grupamento social que o apoiava. Governar, para o último reizinho brasileiro, era uma "maçada", uma chatice, como ele mesmo definiu.


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A pomba e a Incompetência.

O vapor "Alagoas", que levava a família imperial para o exílio, em novembro de 1.889, passava pela costa de Fernando de Noronha. O reizinho e seus parentes resolveram enviar uma última mensagem à Nação. Apanharam um pombo à bordo e discutiram o conteúdo de seu derradeiro recado em território brasileiro. Escolheram uma única palavra - saudade - e soltaram o pombo, que deveria voar para as terras brasileiras. O pombo capotou e foi para o fundo do mar. Tinha as asas aparadas, não voava. Uma metáfora do que foram os anos da monarquia. As atitudes sempre foram desastrosas.


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Tímido, carente e vozinha afeminada.

O reizinho era tímido, ensimesmado e, seguramente, muito carente de afeto. Diversos diplomatas, ao longo de seu reinado, observaram o tédio que brotava do imperador brasileiro. Não havia no Rio de Janeiro nada que nem de perto lembrasse uma corte. A cidade era impraticável no verão. Essas são algumas das observações de estrangeiros que chegavam ao Brasil. Mas havia algo pessoal que impactava esses diplomatas. O reizinho era um sujeito alto e de lindos olhos azuis, mas já voz..."Bastava que abrisse a boca para que essa boa imagem inicial rapidamente se esvanecesse: a voz era aflautada, fina e aguda". Era rei, mas não liderava coisa alguma. Desde a infância, foi um títere.


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Isabel era feia e sem sobrancelhas.

Sua herdeira política, a princesinha Isabel foi descrita por seu futuro marido , um conde do "baixíssimo clero" europeu, como: "aviso-te que ela nada tem de bonito; tem sobretudo uma característica que me chamou a atenção. É que lhe faltam completamente as sobrancelhas". Além disso, era extremamente carola. Após a perda brutal da primeira gravidez, quando passou mais de 50 horas nos trabalhos de parto, Isabel "radicalizou a carolice" e fugiu do palácio. Foi viver em Petrópolis, com raros amigos. Nenhum a apoiou quando foi determinado seu exílio.


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O reizinho não tinha para quem deixar o trono.

O reizinho, declaradamente, não gostava do marido francês de sua filha Isabel. A gota de água no relacionamento dos dois se deu quando o conde-marido aboliu a escravidão no Paraguai, ao fim da guerra. Pedro II era um dos mais cruéis defensores da escravidão.


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Crueldade de dois escravistas.

Ele e o rei Leopoldo II, da Bélgica, eram considerados os mais desumanos monarcas daqueles tempos. Não à toa , Pedro II e Leopoldo II, eram amigos e cúmplices de casamentos entre seus parentes. Era o que lhes restava. Viviam isolados, eram párias em um mundo que estava odiando a escravidão. A Inglaterra lhes movia uma grande campanha que destruía suas imagens. . É dessa campanha que nascem os direitos humanos. E é nesse clima de ojeriza dos demais mandatários, que a Pedro II restará apenas algum relacionamento com proeminentes cientistas.


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Não teve golpe, teve vácuo de sucessão.

A alternativa para a ocupação do trono nunca foi Isabel. Ela tinha ojeriza à política. Pedro II, dizia que seu genro era um explorador de pobres a quem alugava cortiços no Rio de Janeiro. Mas também não era Pedro Augusto, filho de D.Leopoldina, a outra filha. Havia um vácuo na sucessão. Pedro II não queria saber de governar e nem tinha um candidato que o substituísse. A monarquia "caiu de maduro". Deodoro, tido como o "conspirador-mor da República", era amigo particular do reizinho,  e não queria sua substituição... até o último instante.

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