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Em Pauta

Três anos, sete municípios, Ponta Porã foi um Estado

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 19/04/2026 07:00
Três anos, sete municípios, Ponta Porã foi um Estado

A Segunda Guerra Mundial levou o governo de Getúlio Vargas a criar “ Estados” em algumas regiões fronteiriças. Ponta Porã foi um dos quatro. O nome técnico era “Território” e não “Estado”. A única diferença é que essas regiões passavam a ser administradas diretamente pela capital federal. Não haveria eleições para a escolha de seus dirigentes. Era setembro de 1.943. Vargas tinha medo até da sombra. Não cometeria o mesmo erro de Pedro II, e dos reis que o antecederam. Eles deixaram nossas fronteiras sem proteção alguma.


Três anos, sete municípios, Ponta Porã foi um Estado

Sete municípios.

Ponta Porã foi esse “Estado” com capital na cidade de mesmo nome. Porto Murtinho, Bela Vista, Dourados, Maracaju, Nioaque e Miranda, faziam parte dessa novidade. O governador nomeado foi o coronel Ramiro Noronha, um oficial que havia prestado serviço por todos os cantos do país e conhecia bem nossa região. Tinha trabalhado na implantação dos postes telegráficos fincados pela Comissão Rondon. Além de Noronha, P.Porã, em seus três anos de existência, foi ainda administrada pelo major Guiomar dos Santos e por José Alves de Albuquerque.


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Desapareceu pela intransigência dos cuiabanos.

Todos os textos que li são unânimes em afirmar que Noronha fez uma boa administração. Se não era popular, foi eficiente. É dessa época, mas de iniciativa de Vargas, a criação da Colônia de Dourados, doando 300 mil hectares de terras para quem nada dispunha. Noronha construiu inúmeras pontes; erigiu a única escola “normal” da região, para ensinar novos professores; criou vários cursos noturnos, e durante as férias, até então inexistentes. Também implantou a primeira biblioteca pública. Noronha doou terras para lavradores na imensa área devoluta ocupada anteriormente pela empresa Matte Laranjeira. O Território de Ponta Porã desapareceu do mapa pela iniciativa de políticos cuiabanos quando o pais votou uma nova Constituição Federal.


Três anos, sete municípios, Ponta Porã foi um Estado

A Guarda Florestal que também era polícia.

A maior preocupação de Noronha era a segurança. Não podia ser diferente. Nomeou e equipou guardas florestais. O papel desses homens era também o de policiar a região, suas estradas e picadas, o controle dos produtos pelas estradas e portos fluviais e guarda da fronteira, além dos cuidados florestais. Era uma polícia “faz-tudo”, com amplíssimos poderes e deveres.

 

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