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Em Pauta

Três franceses contam a história de Bonito

Por Mário Sérgio Lorenzetto | 21/07/2026 07:01
Três franceses contam a história de Bonito

A mais bela cidade do Mato Grosso do Sul só poderia ter suas origens contada em uma bela lenda de amor impossível. Cacai era uma jovem terena escolhida pelo cacique para o ritual das 700 luas que ocorreria na Gruta do Lago Azul. Esse ritual decidiria se a moça poderia se casar com o chefe indígena. Durante o ritual, Cacai se apaixona por um guerreiro estrangeiro, uma versão diz que ele era francês. Logo a seguir, recusa o casamento com o indígena. Furioso, o rejeitado lança uma maldição sobre o casal que fugia em um barco pelo rio Formoso. Eles falecem. O sangue do casal, derramado nas águas, tornou o rio cristalino, simbolizando o amor puro de Cacai.


Três franceses contam a história de Bonito

O francês pioneiro.

Por volta de 1.850, a primeira família de brancos que habitou as terras de Bonito era constituída por mineiros. Todos teriam sido dizimados pelo Kadiwéus. Apenas um menino teria sobrevivido. Passados alguns anos, Francisco Xavier Ribeiro e seus familiares ocuparam muitas terras na região. Após alguns ataques indígenas não suportaram a pressão e venderam suas terras. Em 1.869, um homem de nome Euzébio vendeu terras ao francês, nascido em paris, mas de nome brasileiro, Luiz da Costa Falcão, reconhecido por muitos como o fundador da cidade de Bonito. Esse francês veio ao Brasil aos 12 anos de idade e, depois de passar por São Paulo e Baurú, chegou em Miranda, onde foi cartorário, encarregado de registrar a venda de escravos. Com o dinheiro dessa profissão, comprou terras do homem que conhecemos apenas como Euzébio. Esse Euzébio talvez fosse o filho que sobreviveu à matança da família de mineiros. Falcão manda mapear a região e constitui uma extensa família às margens do rio Bonito. A história de Bonito está entremeada por lendas. Não é possível separar as lendas de sua história.


Três franceses contam a história de Bonito

O francês papudo media terras.

Uma das mais importantes histórias do Mato Grosso do Sul ainda está para ser contada. Temos poucos registros. Em meados do século passado, todos os fazendeiros foram obrigados pelos governantes a medir suas terras sob pena de perdê-las. Os agrimensores, todavia, eram inexistentes na região. Vinham de navio desde o Rio de Janeiro , desciam em Corumbá e de lá, em comitiva, iam às fazendas fazer as medições. Foi assim que um agrimensor francês de nome Lambert chegou à região de Bonito. A pedido de Clóvis Ribeiro, um dos mais importantes pioneiros de Bonito, mediu terras e modificou o arruamento inicial da cidade. Lambert, entretanto, era tido como um papudo. Entre suas bravatas, dizia saber nadar. Na primeira tentativa de atravessar um rio, quase se afogou. Ao ser indagado pelos outros membros da comitiva se realmente sabia nadar, respondeu que tinha um livro que ensinava natação. Nadava em teoria.

 

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