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Não é só a fritura; ser saudável de corpo e mente

Por Carlos Alberto Rezende (*) | 10/04/2024 16:16

Foi durante uma conversa nostálgica com a Tatiana, minha namorada, sobre o inigualável e inesquecível enroladinho frito de presunto e queijo do Xodó, lanchonete que ficava em frente ao colégio Dom Bosco, na década de 80, que me veio a inspiração para o tema do nosso bate-papo de hoje. A Tati me contou que juntava dinheiro para comer o bendito enroladinho e o delicioso quebra-queixo do Baiano, e completou: “Naquela época não tinha essa lei da fritura e a gente se esbaldava naquele enroladinho! Mas, além da prática esportiva no Dom Bosco, eu andava de patins e jogava queimada toda sexta-feira, sábado e domingo. Então a minha geração foi de crianças e adolescentes saudáveis de corpo e mente, mesmo comendo enroladinho frito.”

A obesidade infantil é um problema preocupante no Brasil, assim como em muitos outros países. Dados apontam que a prevalência da obesidade entre crianças e adolescentes tem aumentado ao longo dos anos, o que pode trazer diversas consequências negativas para a saúde a curto e longo prazo. É notório que as frituras contribuem para o ganho de peso, pois alimentos fritos, geralmente, são ricos em calorias, gorduras saturadas e gorduras trans que podem ter impactos negativos na saúde, se consumidos em excesso. Optar por métodos de cozimento mais saudáveis, como grelhados, assados ou cozidos, pode ser uma escolha mais saudável para manter o peso sob controle. Lembre-se, o equilíbrio e a moderação na dieta são fundamentais para uma vida saudável.

Em 2020, das crianças acompanhadas na Atenção Primária à Saúde (APS) do SUS, em Mato Grosso do Sul, 15,9% dos menores de 5 anos e 31,8% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso, e dessas, 7,4% e 15,8%, respectivamente, apresentavam obesidade de acordo com o Índice de Massa Corporal (IMC) para idade. Quanto aos adolescentes acompanhados na APS em 2020, 31,9% e 12,0% apresentavam excesso de peso e obesidade, respectivamente. Segundo estudo do Ministério da Saúde, dos indivíduos atendidos na Atenção Primária a Saúde (APS) no Brasil, 63% apresentaram excesso de peso e 28,5% apresentaram obesidade, em 2019. Isso significa que, cerca de 8 milhões desses adultos apresentaram excesso de peso e 3,6 milhões apresentaram obesidade. Em Mato Grosso do Sul este cenário não é diferente, 69,3% da população está com excesso de peso, sendo que 36,6% já estão com obesidade. Ou seja, de cada 10 pessoas 7 estão com excesso de peso e 3 estão com algum grau de obesidade no Estado.

No Brasil, em 2022, a média nacional apontou que 31,2% dos adolescentes estavam com excesso de peso, quase o dobro da média global (18,2%). Existem várias causas para a obesidade infantil, as mais comuns são: hábitos alimentares não saudáveis, falta de atividade física e influência do ambiente familiar e social. É fundamental que sejam adotadas estratégias para promover hábitos saudáveis desde cedo, como uma alimentação balanceada e a prática regular de atividades físicas. Lembrando que a retirada da obrigatoriedade da Educação Física escolar acelerou, e continua acelerando, consideravelmente o processo da obesidade. A ausência dessa disciplina nas escolas impacta tanto fisicamente quanto mentalmente a vida das nossas crianças, visto que a Educação Física desempenha vários papéis fundamentais no desenvolvimento de competências interpessoais, na saúde e nas relações intrapessoais delas.

No meu entendimento, a inclusão da Educação Física no currículo escolar é essencial para o desenvolvimento holístico dos alunos e alunas, influenciando positivamente suas habilidades sociais, saúde física e mental, bem como a sua capacidade de lidar com a competição e desenvolver um sentido de lealdade e pertencimento. Então, pai e mãe, ao invés de proibir só a fritura, proíba também que seus filhos e filhas transformem o celular em uma extensão dos seus corpos.

  (*) Carlos Alberto Rezende é conhecido como Professor Carlão. Siga no Instagram @professorcarlaoms.

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