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Cotação por comparação chega ao transporte: o que a Camion diz sobre o consumo

A startup que trouxe a lógica dos comparadores de voos para o frete rodoviário e o que isso revela

Por Post Patrocinado | 23/07/2026 15:32

Com o setor pressionado pela Resolução ANTT 6.068/2025 e pelo recorde do mercado de seminovos, marketplaces logísticos consolidam padrão de contratação que substituiu telefonemas em série por propostas simultâneas.

Cotação por comparação chega ao transporte: o que a Camion diz sobre o consumo
Ronaldo Luis Gonçalves,CEO da Camion (Foto: Divulgação)

O consumidor brasileiro que precisa contratar transporte rodoviário de veículos hoje se comporta de forma radicalmente diferente do consumidor que enfrentava a mesma tarefa há dez anos. A diferença não está na necessidade, que segue a mesma. Está no processo pelo qual essa necessidade é atendida. Se antes a contratação envolvia telefonemas em série, orçamentos em formatos incompatíveis e decisão tomada com informação fragmentada, hoje ela transcorre em ambiente estruturado, com propostas comparáveis lado a lado, verificação prévia dos fornecedores e acompanhamento em tempo real da operação. A Camion, plataforma que opera no setor desde 2015, é um dos casos empresariais que ajudam a mapear essa transformação, não por representar o setor inteiro, mas por ter atravessado o período em que a mudança se consolidou e por ter atingido, segundo a própria empresa, mais de 250 mil veículos transportados por sua rede em rotas interestaduais nesse intervalo.

O fenômeno é parte de um movimento mais amplo. A digitalização da logística rodoviária brasileira alcançou vários nichos na última década, com marketplaces se consolidando em segmentos como cargas fracionadas, frete dedicado e mudança residencial. O transporte de veículos por carreta cegonheira foi um dos últimos a se reorganizar em torno desse modelo, e sua adesão coincidiu com a maturação de um novo perfil de consumidor logístico no país.

O consumidor que passou a comparar

O ponto de partida da análise está no comportamento do próprio cliente. Estudos de comportamento do consumidor digital brasileiro nos últimos anos convergem em uma conclusão: quem contrata serviços online hoje espera comparar antes de decidir. A prática, que já era padrão em setores como turismo (com hotéis e passagens), varejo (com preços de produtos) e serviços financeiros (com taxas de juros), se estendeu naturalmente para categorias logísticas.

O consumidor que se acostumou a comparar em outras frentes passou a rejeitar processos em que a contratação exige aceitar a primeira proposta recebida sem visibilidade de mercado. Fornecedores que insistiam em manter a lógica antiga foram, aos poucos, perdendo relevância para plataformas que oferecessem o padrão de comparação que o cliente já reconhecia de outros contextos.

O que a experiência da Camion documenta

No caso da Camion, a estrutura básica opera em torno de um modelo comum aos marketplaces logísticos. O cliente preenche um formulário único com origem, destino e dados do veículo a ser transportado, e recebe três cotações imediatas de transportadoras que integram a rede da plataforma. Segundo dados operacionais divulgados pela empresa, a diferença entre a proposta mais alta e a mais baixa para o mesmo trajeto pode chegar a 30%, uma amplitude que reflete variações legítimas entre estratégias comerciais, capacidade ociosa e rotas habituais de cada transportadora naquele momento específico.

A rede é composta por mais de 30 transportadoras parceiras especializadas, verificadas previamente pela plataforma quanto à regularidade do CNPJ, ao registro no RNTRC junto à ANTT, ao histórico de entregas anteriores e às avaliações reais de clientes. Toda a rede opera com seguro incluso para o veículo durante o trajeto e rastreamento durante o percurso. Essa estrutura padronizada é o que permite ao cliente comparar propostas dentro de um universo já qualificado, e a escolha entre elas se dá por preço, prazo e modalidade, e não por viabilidade operacional do fornecedor.

O novo marco regulatório e sua influência

Um segundo elemento que ajuda a explicar o crescimento do modelo é a evolução do marco regulatório. A Resolução ANTT 6.068/2025, publicada em julho do ano passado, tornou obrigatória a contratação dos seguros RCTR-C (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga) e RCV (Responsabilidade Civil do Veículo) para transportadoras com RNTRC ativo. A comprovação de apólices vigentes passou a ser requisito para manutenção do registro, e a fiscalização foi intensificada com integração eletrônica entre a ANTT e as seguradoras.

Para o consumidor, essa mudança elevou o padrão mínimo do setor. Transportadoras com RNTRC ativo em 2026 operam, obrigatoriamente, com cobertura formal para a carga transportada. A verificação prévia que plataformas como a Camion mantêm sobre sua rede se converteu, na prática, em uma camada adicional de proteção que confirma a conformidade com esse marco em cada operação contratada.

O tamanho do mercado que sustenta a transformação

O contexto de mercado também favorece a consolidação do modelo. Segundo a Fenabrave, o Brasil emplacou mais de 5,1 milhões de veículos em 2025, com alta de 8,02% em relação ao ano anterior. O mercado de seminovos registrou recorde histórico, com 4,7 veículos usados negociados para cada novo emplacado, segundo dados da Fenauto. Os eletrificados cresceram 60,8%, com mais de 285 mil unidades emplacadas no ano.

Cada uma dessas categorias gera demanda por transporte interestadual. Concessionárias movimentando estoque entre unidades, revendedores independentes montando estoque a partir de leilões em outras regiões, plataformas digitais de venda direta fazendo logística reversa entre hubs regionais, compradores finais recebendo veículos adquiridos em outros estados. O volume total forma um mercado suficientemente amplo para sustentar plataformas especializadas que operem com escala.

O que se aprendeu com a década

A experiência acumulada desde 2015 revela alguns padrões. O primeiro é que a filtragem prévia dos fornecedores é o que sustenta a proposta de valor do modelo. Marketplaces que listam qualquer transportadora interessada, sem verificação, deterioram-se rapidamente em qualidade percebida. O segundo é que o acompanhamento durante a execução, e não apenas na contratação, é o que retém o cliente. Comparação simultânea captura a primeira operação. Cumprimento do combinado captura a segunda e a terceira. O terceiro é que a integração entre plataforma e transportadoras precisa ser tecnológica, não apenas contratual. Sistemas de gestão, rastreamento, comunicação em tempo real e emissão eletrônica de Conhecimento de Transporte (CT-e) são infraestrutura, não diferencial.

Empresas que consolidaram esses três pontos permaneceram no mercado. Muitas outras que tentaram entrar no segmento nos últimos anos não conseguiram atravessar a fase inicial. O caso da Camion, com dez anos de operação contínua e mais de 250 mil veículos transportados por sua rede, é útil justamente por documentar quais escolhas operacionais sustentam a longevidade nesse tipo de negócio.

O que vem pela frente

O cenário para os próximos anos aponta para sofisticação adicional. A entrada acelerada de veículos eletrificados exige protocolos operacionais específicos, com atenção a peso adicional das baterias, estado de carga no momento do embarque e procedimentos de transporte específicos para elétricos. A consolidação do mercado de seminovos amplia a base de clientes profissionais que operam logística reversa entre estados. O aperto regulatório contínuo pressiona por integração ainda maior entre plataformas, seguradoras e órgãos reguladores.

O consumidor que se acostumou a contratar por comparação simultânea não vai voltar ao modelo antigo. Isso significa que plataformas capazes de responder ao novo padrão de exigência seguem capturando a demanda, e o setor continua se reconfigurando em torno desse formato. A experiência da Camion, no nicho específico de transporte rodoviário de veículos, é um dos indicadores desse movimento, e ajuda a antecipar o rumo que outros segmentos logísticos brasileiros podem seguir na próxima década.