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Fogo no Pantanal pode deixar danos irreversíveis

Por Wetlands International Brasil | 19/09/2020 13:30
Mato seco no pantanal. (Foto:Jeferson Prado/Sesc Pantanal)
Mato seco no pantanal. (Foto:Jeferson Prado/Sesc Pantanal)

Temos visto uma tragédia sem precedentes no Pantanal. Já foram mais de 15 mil focos de incêndio este ano que resultaram em 2,9 milhões de hectares do bioma atingidos pelo fogo. Em 2019 a situação já foi catastrófica, sendo um dos anos com maior número de incêndios da região, um prenúncio do que estava por vir.

No Pantanal, os incêndios florestais que ocorrem naturalmente são parte integrante do ecossistema, sendo que os organismos que compõem esses ambientes apresentam adaptações para enfrentar o fogo e até mesmo tirar proveito dele.

Entretanto, a maior parte dos incêndios que estão acontecendo são causados por ação humana, pelas mais diversas razões: limpeza de pastos, preparo de plantios, desmatamentos, vandalismo, disputas fundiárias, entre outras.

Essas queimadas podem deixar danos irreversíveis, devastando completamente os ecossistemas: destroem a flora; ao matarem os microrganismos presentes no solo tornam-no mais pobre; reduzem a penetração de água no subsolo ao calcinar sua superfície; comprometem a qualidade da água, já que extinguem as matas ciliares, que são a proteção das nascentes e baias, dos rios, riachos, córregos e ribeirões; ainda influem de forma negativa sobre as mudanças climáticas do planeta, contribuindo para o aumento do efeito estufa e, portanto, para o aquecimento global.

Os animais também sofrem consequências causadas pelo fogo. Um dos maiores abrigos de araras-azuis do país, a fazenda São Francisco de Perigara, no município de Barão de Melgaço (MT), teve mais da metade de sua área atingida pelas chamas, colocando em risco o refúgio.

Também no Norte do Pantanal, o Parque Estadual Encontro das Águas, na região de Porto Jofre, no município de Poconé (MT) foi duramente afetado pelas queimadas. 92 mil hectares da reserva – que possui 108 mil hectares – foram atingidos pelas chamas até o momento. Lá é onde há a maior concentração de onças-pintadas do mundo.

Neste cenário de destruição intensa do bioma, é comum avistar corpos de animais carbonizados. Há registros de cobras, jacarés e outras espécies que acabaram vítimas do fogo.

A fumaça gerada pelas chamas ainda causa problemas à saúde humana. O número de atendimentos a pessoas com problemas respiratórios nas unidades de saúde das cidades da região aumentou bastante nos últimos meses.

Este grande volume de fumaça que fica nos céus de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul pode se deslocar para o estado de São Paulo neste fim de semana devido a combinação dos ventos e da seca que também atinge o Sudeste, podendo causar o fenômeno conhecido como chuva negra.

Para que esse desastre não se repita por mais um ano temos que cobrar medidas efetivas de nossos governantes. Na quinta-feira a Wetlands International Brasil publicou um documento de posicionamento, em que recomenda ações que visam a prevenção e combate de grandes incêndios no Pantanal, além de medidas para que ele não ocorra novamente. Ele pode ser acessado através do link: https://bit.ly/32BXwPT

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