Após caos em show, fã é alvo de golpe com promessa de indenização
Segundo a vítima, o golpista utilizava a foto da advogada e se apresentava como representante jurídico

Uma fã que integra o grupo de consumidores que processa a empresa responsável pela organização do show do Guns N' Roses, realizado em Campo Grande, foi alvo de uma tentativa do chamado "golpe do falso advogado".
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Uma fã que processa a produtora do show do Guns N' Roses em Campo Grande foi alvo de uma tentativa de golpe envolvendo falsas indenizações judiciais. Um criminoso, passando-se por advogado, enviou mensagens afirmando que a ação havia sido vencida em última instância. A vítima desconfiou da abordagem e confirmou a fraude com seus representantes legais. O processo real, motivado por falhas na organização e mobilidade do evento realizado no autódromo, ainda não possui decisão definitiva.
O caso aconteceu nesta terça-feira (21), quando ela recebeu mensagens de um número desconhecido informando, de forma fraudulenta, que a ação judicial havia sido julgada em última instância e que ela teria direito a uma indenização.
- Leia Também
- Procon inicia audiências de conciliação do show do Guns N’ Roses com 232 queixas
- Procon abre investigação após 17 queixas sobre show do Guns em Campo Grande
Segundo a vítima, que preferiu não se identificar, as mensagens imitavam a comunicação de seu escritório de advocacia. O golpista utilizava a foto da advogada no perfil do WhatsApp e se apresentava como representante jurídico da consumidora.
Nas mensagens, o criminoso afirmava entrar em contato para informar "atualizações relacionadas ao processo que iniciamos a desfavor da ALMEIDA JUNIOR EVENTOS LTDA", empresa Santo Show responsável pela organização do evento.

Em seguida, encaminhou um suposto ofício em formato PDF e escreveu que "saiu a decisão, e em última instância foi proferida totalmente a nosso favor, isso significa que obtivemos êxito na causa e você vai ter direito a indenização".
A vítima desconfiou da abordagem e decidiu não abrir o arquivo. "Não abri o ofício, porque identifiquei que era golpe", relatou.
Ela contou que, antes de qualquer atitude, encaminhou as mensagens aos advogados responsáveis pelo processo para confirmar a suspeita. "Na hora enviei para os advogados para ter certeza que era golpe."
Após a confirmação, a consumidora optou por não responder ao contato. "Não fiz boletim de ocorrência, não respondi à mensagem, bloqueei e denunciei no WhatsApp."
Indignada, ela classificou a tentativa de fraude como uma demonstração de desrespeito. "Isso foi falta de respeito e caráter com o próximo, pessoas que querem se aproveitar de uma situação para ganhar em cima", afirmou.
De acordo com informações obtidas pela reportagem, as ações judiciais movidas por consumidores contra a empresa responsável pelo show ainda são recentes e, em muitos casos, sequer possuem despacho judicial. Isso reforça que a informação sobre uma decisão definitiva era falsa.
O documento encaminhado pelo criminoso também era apresentado como um ofício judicial, embora a vítima tenha evitado abrir o arquivo após perceber os indícios da fraude.
A orientação nestes casos é que pessoas envolvidas em processos judiciais desconfiem de contatos feitos por números desconhecidos, principalmente quando há pedido de confirmação de dados, envio de documentos ou promessa de liberação de valores.
Em caso de dúvida, a recomendação é procurar diretamente o advogado responsável pela ação antes de qualquer procedimento.
Problemas no Show - O show do Guns N' Roses foi realizado em 9 de abril, no Autódromo Internacional de Campo Grande, e ficou marcado por uma série de problemas de organização.
No dia do evento, congestionamentos na BR-262 fizeram motoristas enfrentarem até sete horas de fila, com cerca de 14 quilômetros de lentidão. Muitos fãs abandonaram carros e ônibus fretados e seguiram a pé até o autódromo para conseguir assistir ao espetáculo.
Consumidores também relataram falta de organização no trânsito, ausência de agentes para orientar o fluxo de veículos e demora no acesso ao estacionamento. A PRF (Polícia Rodoviária Federal) apontou falhas no plano de mobilidade apresentado pela organização, incluindo dificuldades na leitura de QR Codes e problemas operacionais no acesso ao evento.
Em razão das ocorrências, o Procon de Mato Grosso do Sul abriu investigação e recebeu, ao longo dos meses, centenas de reclamações de consumidores que enfrentaram transtornos relacionados ao show.


