ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JUNHO, QUARTA  10    CAMPO GRANDE 19º

Diversão

Nem na ficção MS escapa de virar rota de fuga para o Paraguai

Novela das 9 cita estado em plano para sair do país como nos casos reais que ganharam repercussão nacional

Por Gustavo Bonotto | 10/06/2026 21:35

Quando um personagem de novela precisa desaparecer, fugir da polícia ou cruzar uma fronteira sem chamar atenção, Mato Grosso do Sul não costuma entrar no roteiro. Mas foi exatamente isso que aconteceu no capítulo de quarta-feira (10) de "Quem Ama Cuida", trama de Walcyr Carrasco exibida pela TV Globo no horário nobre.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Mato Grosso do Sul foi citado na novela "Quem Ama Cuida", da TV Globo, quando a vilã Pilar, vivida por Isabel Teixeira, sugeriu que a personagem Adriana fugiria de São Paulo ao Paraguai passando pelo Estado. A cena repercutiu nas redes sociais entre sul-mato-grossenses. O roteiro tem base real: o Estado possui mais de 1,5 mil km de fronteira seca com Paraguai e Bolívia e já apareceu em casos reais de foragidos.

A responsável pela triste coincidência com a realidade foi a vilã Pilar, interpretada pela atriz Isabel Teixeira. Convencida de que a mocinha Adriana, personagem de Letícia Colin, tenta escapar das investigações sobre a morte do milionário Arthur, vivido por Antônio Fagundes, ela decide apresentar a teoria a um delegado.

Antes da conversa, Pilar analisa um mapa e chega à conclusão: "Interessante. Indo de São Paulo pra Botucatu, dá pra ir pro Paraguai via Mato Grosso do Sul. Acabou pra você, Adriana", afirma a personagem.

A cena dura poucos segundos, mas bastou para despertar a atenção dos sul-mato-grossenses nas redes sociais. Afinal, o Estado surgiu exatamente no papel que costuma ocupar em reportagens policiais, séries de televisão e produções sobre o crime organizado: corredor de passagem para países vizinhos.

Na sequência, Pilar reforça sua suspeita ao conversar com o delegado. "Acontece, delegado, que a cidade é só passagem. O plano é sair do país indo para o Paraguai via Mato Grosso do Sul", afirma.

O policial da trama tenta relativizar a acusação. "A senhora há de convir que ninguém pensa em fugir da lei indo para Botucatu", responde. Mas a vilã insiste. "Se não é isso, por que todos os parentes estariam indo de malas? Malas carregadas, é para passar muito tempo. É fuga."

Viralizou nas redes - Enquanto a personagem construía sua teoria conspiratória, a internet se divertia com a inesperada participação sul-mato-grossense na novela.

"Mato Grosso do Sul mentioned obrigado", publicou um perfil no X (antigo Twitter). "Que lindo eles falando Mato Grosso DO SUL ao invés de falar apenas Mato Grosso", escreveu outra telespectadora.

Também houve quem transformasse a geografia da novela em piada. "Claro que dá para fugir de São Paulo para Mato Grosso do Sul. Aliás, dá para ir para a África de Botucatu", brincou um internauta.

Entre os comentários bem-humorados, um detalhe chama atenção. A teoria criada por Pilar pode soar exagerada para os padrões de uma novela das nove, mas não surgiu do nada. Mato Grosso do Sul possui mais de 1,5 mil quilômetros de fronteira seca com Paraguai e Bolívia.

E tem histórico - Ao longo das últimas décadas, a região apareceu repetidamente em investigações envolvendo traficantes, contrabandistas e foragidos que tentaram deixar o Brasil. Gerson Palermo, apontado como integrante da cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital), conseguiu deixar o país depois de obter prisão domiciliar. Ele foi localizado recentemente na Bolívia e voltou às manchetes ao ser repatriado em maio.

Nem na ficção MS escapa de virar rota de fuga para o Paraguai
Gerson Palermo escoltado por agentes da polícia boliviana para ser entregue à PF em Santa Cruz da La Sierra. (Foto: Juan Carlos Torrejón/El Deber)

Já Antônio Joaquim Mota, conhecido como "Motinha" e apontado como um dos principais traficantes da região de fronteira, escapou de uma operação ao deixar o local de helicóptero pouco antes da chegada dos agentes.

No mesmo período ainda houve a fuga de Paulo Cupertino Matias, condenado pelo assassinato do ator Rafael Miguel e dos pais dele em 2019. Durante o período em que permaneceu foragido, Cupertino passou por cidades do interior sul-mato-grossense, obteve documentos falsos e chegou a cruzar a fronteira de Ponta Porã para Pedro Juan Caballero, no Paraguai. Ele só acabou capturado mais tarde em São Paulo (SP).