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Economia

Com chuva, onças atacam gado e fazendeiros redobram cuidado

Um bezerro foi morto na manhã de hoje (06) em uma fazenda de Terenos. Ano passado, nesse mesmo período, foram 9 mortes em um só ataque.

Por Anahi Gurgel | 06/08/2018 18:39
Bezerro atacado na manhã desta segunda-feira (06), em Terenos. (Foto: Aloízo Rodrigues)
Bezerro atacado na manhã desta segunda-feira (06), em Terenos. (Foto: Aloízo Rodrigues)

Se por um lado a chuva é bem-vinda e “abençoa” o homem do campo, irrigando as plantações, por outro pode ser sinônimo de preocupação em propriedades rurais de Mato Grosso do Sul. É nesse período que há aumento dos ataques de onças ao gado, como o que aconteceu na manhã desta segunda-feira (06), em uma fazenda de Terenos – a 25 quilômetros de Campo Grande.

O relato foi feito por Aloízo Rodrigues dos Santos, 58 anos, administrador rural e professor com mestrado em meio ambiente.

“Normalmente, durante ou depois de uma chuva mais fraca, e no final das tardes ou de manhã cedo, ouvimos ao longe esturros da onça. Hoje, ela pegou um bezerro, mas ano passado, nessa mesma época, foram 9 cabeças de gado perdidas em um só ataque”, descreve Aloizo.

Ele conta que, dessa vez, a onça – que pode ser uma parda - retirou um pedaço do bezerro e escondeu o resto. “Achamos o que sobrou, cortamos e vamos alimentar o "Belão ", nosso cachorro, para não desperdiçar”, diz.

O professor destaca que a onça anda de propriedade em propriedade, atrás de comida. "Muito provavelmente, o tempo quente que estava fazendo nos últimos dias na região, fez com que as onças ficassem na mata, onde é mais fresco. Aí vem a chuva e ela sai para caçar", explica.

Aloizo pontua ainda que não há muito o que ser feito para evitar os ataques das feras. Os touros são aliados, pois eles protegem o rebanho, o gado fica atrás deles, e as onças são intimidadas. Os proprietários também procuram deixar mais luzes acesas e cachorros próximo ao pasto.

"É a natureza. A onça percorre vários quilômetros para se alimentar, ainda mais se estiver com filhotes. Mas nós não agredimos, não matamos. O animal come aqui ,vai embora para outro lugar e o ciclo de vida dele não é interrompido”, ensina.