Consultoria sugere adiar quitação de rombo bilionário na Previdência em 20 anos
Pela proposta, em vez de quitar a dívida previdenciária em 2046, o prazo seria estendido até 2065

Consultoria contratada pela Ageprev (Agência de Previdência Social de Mato Grosso do Sul), a Brasilis, orientou o Governo do Estado a reformular a atual lei previdenciária para estender em 20 anos o prazo de amortização do deficit atuarial. O "rombo" atual é de R$ 6,9 bilhões.
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Consultoria contratada pela Ageprev sugere ao Governo de Mato Grosso do Sul estender o prazo de amortização do déficit previdenciário de 2046 para 2065. A proposta visa reduzir o aporte anual do Tesouro Estadual de R$ 645,6 milhões para R$ 490,3 milhões. O estudo aponta que o déficit atual é de R$ 6,9 bilhões, tendo diminuído R$ 2,9 bilhões nos últimos dois anos devido ao aumento das taxas de juros. A implementação da mudança depende de aprovação pela Assembleia Legislativa, mantendo as alíquotas de 14% para servidores e 28% para o Estado.
Pela proposta, em vez de quitar a dívida previdenciária em 2046, o prazo seria estendido até 2065. A mudança permitiria um aporte anual menor por parte do Tesouro Estadual, que cairia dos atuais R$ 645,6 milhões para R$ 490,3 milhões, uma redução de R$ 155,3 milhões ao ano no desembolso imediato do Executivo.
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Atualmente, os repasses são regidos pela Lei Estadual nº 6.339/2024. Para que a nova estratégia entre em vigor, o Governo precisa enviar um novo projeto de lei à Assembleia Legislativa.
Na prática, o plano sugerido pela Brasilis prevê que a quitação total do déficit ocorra apenas em 2065, quando haveria a equiparação entre o que é arrecadado e o que é efetivamente pago em benefícios. A medida não alteraria as alíquotas de contribuição dos servidores, que permanecem em 14% sobre o salário dos ativos e sobre a parcela que excede o salário-mínimo para aposentados e pensionistas.
O Governo do Estado, por sua vez, contribui com 28% sobre a remuneração dos ativos. Além disso, o ente estatal realiza aportes suplementares para garantir o equilíbrio financeiro do sistema.
Redução do rombo – Dados coletados pela consultoria até 31 de dezembro de 2025 apontam que a Previdência de Mato Grosso do Sul reduziu o déficit atuarial em R$ 2,9 bilhões nos últimos dois anos. Segundo a análise técnica, o recuo é decorrente do aumento das taxas de juros e da utilização de novas premissas de reposição dos segurados.
Em termos técnicos, o regime previdenciário tornou-se mais "rentável" com a taxa de juros paramétrica avaliada em 5,39% ao ano. O índice foi definido com base na carteira de investimentos da Ageprev, na expectativa de rendimento dos títulos públicos federais e nos limites legais do CNRPPS (Conselho Nacional de Regimes Próprios de Previdência Social).
A reportagem questionou o Governo do Estado sobre o interesse em seguir a orientação da consultoria e se há previsão de envio de projeto à Assembleia, mas não houve resposta até o fechamento desta matéria.
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