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Economia

Em "hibernação" há 4 anos, usina volta com preço 7x maior que mercado

Custo de R$ 254 MWh em MS é baseado de leilões e Aneel autorizou valor de R$ 1,5 mil para a termelétrica

Por Silvia Frias | 28/07/2021 12:23
Usina termelétrica William Arjona, reativada para garantia de suprimento energético ao longo de 2021 (Foto/Divulgação)
Usina termelétrica William Arjona, reativada para garantia de suprimento energético ao longo de 2021 (Foto/Divulgação)

Retirada da “hibernação” com a compra pela Delta Geração de Energia e Investimentos e Participações, a usina termelétrica William Arjona poderá ser reativada para suprir a necessidade energética, decorrente da escassez hídrica. Quando acionada, em caso de necessidade, o valor praticado será de R$ 1,5 mil por MWh (megawatt-hora), acima do atual custo de energia de Mato Grosso do Sul, que é de R$ 254 por MhW.

A usina que converte gás natural em energia elétrica foi inicialmente inaugurada em 1999, podendo consumir até 1,3 milhão de metros cúbicos, total alcançado quando os cinco conjuntos turbogeradores estavam em funcionamento. Foi a primeira a usar a linha do gasoduto Brasil-Bolívia, possibilitando 177 MW de capacidade instalada.

Acionada conforme a necessidade, principalmente nos períodos de crise hídrica, começou a ter maior sazonalidade a partir da estabilização dos reservatórios. No primeiro bimestre de 2017, por exemplo, a usina William Arjona teve queda de 91% já que as chuvas se apresentavam mais regulares e supriam a demanda.

Foi a partir de 2017 que a usina foi definitivamente desativada, tendo o retorno autorizado pelo CMSE (Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico), para garantia do suprimento energético ao longo de 2021. A compra foi realizada pela Delta Energia, em 22 de novembro de 2019, em valor não divulgado.

Para a reativação da unidade, em abril deste ano, o Grupo Delta Energia intensificou tratativas com o governo federal e a Agepen (Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos).

 A empresa iniciou a operação comercial da usina termelétrica no dia 10 de julho, com a reativação da unidade geradora 5, autorizada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). As outras unidades, segundo assessoria empresa, ainda entrarão em operação até o dia 31 de julho. Com uma capacidade instalada de 190 megawatts, a William Arjona pode  abastecer mais de 50% de Campo Grande.

Valores – A presidente do Concen (Conselho dos Consumidores da Área de Concessão de Energia de MS), Rosimeire Costa, a variação do valor do MWh praticada por termelétricas e hidrelétricas no Brasil é de R$ 114 a R$ 1.741, cálculo feito com base nos valores negociados em leilões, que regulam o mercado.

No caso de Mato Grosso do Sul, considerado a média todas as fontes de energia compradas pela concessionária de energia, o preço final do MWh é de R$ 254, segundo dados atualizados do Concen.

Rosimeire explica que a usina de William Arjona não tem contrato e não funciona na regulação a partir de leilões de energia. Não tem preço máximo ou mínimo; para voltar a operar, o projeto foi apresentado e homologado pela Aneel.

“A usina vem para mostrar que o governo está planejando, quer dizer ‘fique tranquilo, não vamos ter crise, temos esse coringa na mão”. Porém, o trunfo pode ter custo maior.

A contratação depende da demanda energética e passa a integrar a chamada ordem de mérito, quando entra em lista de espera na oferta da energia. Porém, quando for a bola da vez, o preço autorizado pela Aneel é de R$ 1,5 mil. “Vamos comprar gás da Bolívia, é commodities, tudo dolarizado”.

Segundo a presidente do Concen, o governo perdeu a oportunidade de investir internamente, para minimizar os custos com a produção energética. “Perdemos nossa oportunidade, governo não investiu no nosso gás, para baratear o custo e ter indústria mais competitiva”.

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