ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
MAIO, QUARTA  06    CAMPO GRANDE 28º

Economia

Falta de estacionamento e prédios antigos travam ocupação de imóveis na Zahran

Conselho aponta uma série de fatores para unidades paradas, mas acredita que a região "não morreu"

Por Ketlen Gomes | 06/05/2026 15:46


Falta de estacionamento e prédios antigos travam ocupação de imóveis na Zahran
Imóvel desocupado na Avenida Zahran tem escada quebrada e pixação na parede. (Foto: Maya Severino)

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

Imóveis de grande porte na Avenida Eduardo Elias Zahran, em Campo Grande, enfrentam dificuldades para locação e venda. Proprietários e imobiliárias apontam falta de estacionamento, construções antigas e queda no fluxo comercial como principais entraves. A vice-presidente do Creci-MS, Simone Leal, cita ainda a descentralização do comércio para os bairros e mudanças no comportamento do consumidor como fatores que impactam a região.

Placas de “vende-se” e “aluga-se” se espalham pela Avenida Eduardo Elias Zahran, em Campo Grande, uma das vias mais movimentadas da Capital. Proprietários, imobiliárias e especialistas do setor apontam uma combinação de fatores para a dificuldade de ocupação dos imóveis, entre eles a falta de estacionamento, o alto custo para adaptar prédios antigos e as mudanças no perfil do consumo da cidade.

Dono de um dos imóveis disponíveis para locação na avenida, um empresário que pediu para não ser identificado afirma que o prédio, construído em 1990, sempre esteve ocupado, mas passou a enfrentar dificuldades nos últimos anos. O espaço possui 650 metros quadrados de área construída.

“Nos últimos anos eu tive problema de ocupação pelo tamanho e valor. E quando fizeram aquele canteiro central na Zahran, há muitos anos, também dificultou, porque diminuiu a calçada, não dá pra estacionar. O problema da Zahran é estacionamento”, afirmou.

Além da dificuldade de vagas, o proprietário avalia que o cenário econômico também afeta diretamente os negócios e reduz o interesse por imóveis maiores.

O esvaziamento de alguns imóveis já aparece na paisagem da avenida. Em um estacionamento de prédio desocupado, roupas e utensílios usados por uma pessoa em situação de rua ocupavam parte das vagas.

Falta de estacionamento e prédios antigos travam ocupação de imóveis na Zahran
Em estacionamento de imóvel desocupado é possível ver roupas e utensíilios usados por pessoa em situação de rua. (Foto: Maya Severino)

Outro imóvel térreo disponível para venda na avenida também enfrenta dificuldades para atrair interessados. A imobiliária responsável pela negociação afirma que o prédio, quase em frente ao Cemitério Santo Antônio, está em processo de inventário e ainda demanda adaptações por se tratar de uma construção antiga.

O corretor de imóveis, Gabriel Mansano, também vê a falta de estacionamento na Avenida como um dos principais motivos para a não ocupação, mas também aponta outros fatores como dificuldades de contorno na via, prédios antigos e concorrência com outras unidades mais novas e baratas nas proximidades.

"É difícil o acesso, por exemplo, se você está subindo e vê um negócio do outro lado, não é toda rua que vira, não é um trecho legal. Os imóveis são antigos e os valores muito altos, sem contar que perto tem outras regiões que não são vias tão rápidas e que têm imóveis muito mais novos, mais bonitos e com valor equivalente, como na Rua Rodolfo José Pinho, por exemplo", comenta o corretor.

Para reverter um dos problemas, o jeito é reformar já pensando em vagas de estacionamento. Um prédio que estava com a obra paralisada na avenida desde 2013 deve receber uma clínica nos próximos meses. Trabalhadores que atuam no local afirmam que o imóvel precisou passar por adequações para viabilizar a ocupação. Ao lado, foi construído um estacionamento para atender à futura demanda.

Falta de estacionamento e prédios antigos travam ocupação de imóveis na Zahran
Imóvel com 385 metros quadrados de construção também está à venda e com a faixada pixada. (Foto: Maya Severino)

A vice-presidente do CRECI-MS (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul), Simone Leal, afirma que a situação da Avenida Zahran é resultado de uma série de mudanças no comportamento do consumidor e na dinâmica comercial da cidade.

“Há sinais públicos de queda forte no movimento em galerias da avenida após a saída de um âncora comercial, além de congestionamentos frequentes, o que piora a circulação e a visibilidade dos pontos”, destacou, em nota.

Segundo Simone, a saída de grandes estabelecimentos reduz o fluxo de pessoas e afeta diretamente pequenos lojistas da região. Ela também cita a descentralização do comércio para os bairros, problemas de sinalização e a escassez de estacionamento entre os fatores que contribuem para o cenário atual.

“Em Campo Grande há uma tendência de descentralização do consumo, com bairros fortalecendo suas próprias centralidades, o que reduz a dependência de avenidas tradicionais. Isso não significa que a região esteja acabando, mas que o modelo de comércio precisa se adaptar ao novo padrão de consumo”, explicou.

A vice-presidente do Creci-MS acrescenta que a concentração de imóveis vagos em uma mesma região pode indicar que a oferta está crescendo em ritmo maior do que a procura.

Imóveis ficam mais difíceis de vender ou alugar quando o entorno perde vitalidade ou passa a ser visto como menos prático para o cliente”, analisa.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.