Família prefere morar na rua a ter de abrir mão de Suzi e Luna
Refugiados da Venezuela dormem na calçada para não terem que se separar dos cães
Para não abandonar dois cachorros de estimação, uma família de venezuelanos diz que preferiu recusar abrigo e ficar nas ruas de Campo Grande. Tudo para permanecer ao lado dos animais que consideram parte da família.
Há cerca de uma semana, Euckarys Alejandra, de 28 anos, o marido e os três filhos dormem numa proteção improvisada em calçadas na região da Avenida Ricardo Brandão, enquanto tentam seguir viagem para o Rio Grande do Sul.
Depois de fugirem da Venezuela e passarem um tempo no Peru, eles chegaram a Campo Grande há menos de um mês, com a esperança de recomeçar a vida perto de familiares que vivem no Sul do País. Impedidos de levar Suzi, de 1 ano, e Luna, de oito meses, para o abrigo da Prefeitura, a família decidiu permanecer unida nas ruas.
“Prefiro ficar aqui, mas com meus cachorros. Eles são como meus filhos. Não posso abandoná-los”, afirma Alejandra.
Os dois vira-latas permanecem o tempo todo próximos da família e servem como apoio emocional em meio à situação difícil. Bem tratados, os animais não se afastam e acompanham o grupo na rotina improvisada.
Durante o dia, a família tenta se organizar com a documentação, buscar alimentação e cuidar das crianças, de 11, 5 e 3 anos. Banho e necessidades básicas são realizados em parque próximo. À noite, eles buscam calçadas cobertas para descansar com mais segurança.
Alejandra relata que chegou a ser acolhida temporariamente em abrigo para regularização de documentos, mas decidiu sair para permanecer com o marido e os cachorros.
“Somos uma família. Meu filho sentia falta do pai, dos cachorros, e eu não podia aceitar ficar separada deles”, relata.
Segundo ela, o principal objetivo agora é conseguir passagens para o Rio Grande do Sul, onde espera reencontrar o pai e outros parentes que também saíram da Venezuela em busca de uma vida melhor.
“Queremos apenas seguir viagem. Aqui estamos sozinhos. Qualquer ajuda com passagem ou um local seguro para nossos cachorros já faria diferença”, pontua.
A venezuelana também destaca que aceitaria acolhimento caso houvesse possibilidade de manter os cães protegidos. “Se puderem cuidar deles ou permitir que fiquem conosco, aceitamos ajuda. Só não vamos abandonar eles”, finaliza.
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