Tarde de lazer reúne mães atípicas em momento de cuidado e acolhimento
Evento sem crianças oferece dança, música e escuta a mulheres que vivem rotina intensa de cuidados diários
Em meio a uma rotina marcada por consultas, terapias e atenção constante aos filhos, um grupo de mães atípicas teve, nesta quarta-feira (6), um tempo dedicado a si mesmas. Sem crianças por perto, elas participaram de uma tarde de lazer promovida pelo CAPSi (Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil), na unidade do bairro Monte Castelo, em Campo Grande (MS).
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A proposta envolveu atividades simples, mas muito potentes, incluindo música, dança, brincadeiras e muitas risadas, com participação de equipes da Funesp (Fundação Municipal de Esportes). Entre momentos de conversa e um lanche coletivo, as mulheres puderam aproveitar um ambiente de acolhimento e leveza.
“Esse momento é delas. A gente sempre faz ações voltadas para as crianças, como Páscoa, Dia das Crianças e Natal. Mas percebemos que essas mães vivem em função dos filhos 24 horas por dia e muitas não têm tempo para si”, explica a gerente da unidade, Ivanaide Martins de Souza.
Segundo ela, o CAPSi atende cerca de 4 mil pacientes ativos, entre crianças e adolescentes. O serviço funciona como porta de entrada para o cuidado em saúde mental, com atendimentos ambulatoriais, oficinas terapêuticas em grupo e acompanhamento de casos mais complexos. Enquanto os filhos participam das atividades, os responsáveis também são acolhidos.
“Pedimos que, se possível, elas não trouxessem as crianças. A ideia era justamente proporcionar um momento de desconexão, de lembrar o que gostam de fazer. A dança ajuda nisso, a liberar energia acumulada. É uma forma de cuidado também”, diz Ivanaide.
Entre as participantes estava Marisa Marinho, que pela primeira vez, em 13 anos, se separou da filha Vitória. “O coração de mãe está apertado, mas sei que ela está bem”, comemora Marisa ao afirmar que deixou a menina aos cuidados do pai. Marisa e a filha frequentam a unidade há 7 anos. Ela conta que dedica praticamente todo o seu tempo e atenção à filha, cuja rotina exige cuidados constantes. Ainda assim, comemora os avanços desde o início do acompanhamento no serviço.
“Ela passou do nível de suporte 3 para o nível 1”, afirma. Na prática, isso significa uma mudança significativa no grau de dependência, uma vez que o nível 3 é considerado o mais alto dentro do transtorno do espectro autista, indicando necessidade de apoio muito intenso nas atividades do dia a dia e na comunicação. Já o nível 1 aponta para um quadro mais leve, em que a criança ainda precisa de suporte, mas com maior autonomia e menos intervenções constantes.
O grupo de 18 participantes foi formado por mães de crianças atípicas atendidas nas oficinas terapêuticas da unidade. A gerente ressalta que essas mulheres sofrem com a sobrecarga intensa, que muitas vezes as leva a deixar o trabalho, a vida social e o autocuidado em segundo plano.
“Então esse encontro é um convite para que elas se enxerguem também como alguém que precisa de atenção,” conclui.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.



