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Economia

Inflação avança em março e chega a 0,88%, puxada por combustíveis e alimentos

Gasolina, leite e tomate lideram altas e ajudam a pressionar o custo de vida no mês

Por José Cândido | 10/04/2026 08:30
Inflação avança em março e chega a 0,88%, puxada por combustíveis e alimentos
Motorista sente no bolso: alta da gasolina foi um dos principais fatores que puxaram a inflação de março no país.

A inflação voltou a ganhar força em março e atingiu 0,88%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O resultado representa alta de 0,18 ponto percentual em relação a fevereiro (0,70%) e foi impulsionado, principalmente, pelos grupos de Transportes e Alimentação e bebidas, que juntos responderam por 76% do índice no mês.

RESUMO

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A inflação no Brasil atingiu 0,88% em março, conforme o IPCA, alta de 0,18 ponto percentual ante fevereiro. Transportes e Alimentação responderam por 76% do índice. A gasolina subiu 4,59%, o tomate 20,31% e o leite longa vida 11,74%. No acumulado de 12 meses, o índice soma 4,14%. Salvador teve a maior inflação regional, com 1,47%, e Rio Branco a menor, com 0,37%. O INPC, que mede famílias de menor renda, atingiu 0,91% no mês.

O principal impacto veio dos combustíveis. A gasolina subiu 4,59% e, sozinha, respondeu por 0,23 ponto percentual da inflação de março. Também registraram aumento as passagens aéreas (6,08%) e o diesel (13,90%), embora com menor peso no cálculo final.

Na alimentação, itens básicos voltaram a pressionar o orçamento das famílias. O leite longa vida teve alta de 11,74% e o tomate disparou 20,31%, sendo os principais responsáveis pela elevação no grupo. Somados, esses produtos tiveram impacto relevante no índice.

De acordo com o gerente do IPCA, Fernando Gonçalves, parte da pressão sobre os preços já reflete o cenário internacional. “Em alguns subitens, especialmente nos combustíveis, já se sente o efeito das incertezas externas”, explica.

No acumulado do ano, a inflação chega a 1,92%. Em 12 meses, o índice soma 4,14%, acima dos 3,81% registrados no período anterior.

Alimentação em casa pesa mais

Todos os nove grupos pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preços em março. Transportes liderou, com alta de 1,64%, seguido por Alimentação e bebidas, que subiu 1,56%.

Dentro desse grupo, a alimentação no domicílio teve avanço ainda maior, de 1,94% — o mais alto desde abril de 2022. Segundo o IBGE, o movimento é resultado da combinação entre redução na oferta de alguns produtos e aumento no custo do frete, impactado pelo preço dos combustíveis.

Diferença entre capitais

Entre as regiões pesquisadas, Salvador registrou a maior inflação do país em março, com alta de 1,47%, influenciada pelo aumento da gasolina e das carnes. Já Rio Branco teve a menor variação (0,37%), ajudada pela queda na energia elétrica e nas frutas.

Nas principais regiões metropolitanas, o índice ficou abaixo da média nacional em São Paulo e no Rio de Janeiro (0,78% em ambas). Em Belo Horizonte, a inflação foi um pouco maior, chegando a 0,93%.

INPC também sobe

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda, também acelerou em março, atingindo 0,91%, acima dos 0,56% registrados em fevereiro.

No acumulado do ano, o INPC soma 1,87% e, em 12 meses, 3,77%. Assim como no IPCA, a alimentação foi o principal fator de pressão, com alta de 1,65% no mês.

A maior variação do INPC também foi registrada em Salvador (1,52%), enquanto Rio Branco apresentou a menor (0,33%).

O que medem os índices

O IPCA considera famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Já o INPC é voltado para aquelas que recebem de 1 a 5 salários mínimos. Ambos são calculados em diversas regiões do país, incluindo Campo Grande, e servem como referência para acompanhar o custo de vida e orientar políticas econômicas.