Músicas do pai despertaram paixão de Leonardo Piana pela escrita
Autor de "Sismógrafo", escritor contou na FLIB que começou a escrever ainda criança
Muito antes de publicar livros premiados e ter uma obra adaptada para o cinema, Leonardo Piana era um menino que ouvia músicas caipiras ao lado do pai. Foi ali que, segundo ele, nasceu a vontade de escrever.
O escritor participou de um bate-papo na 10ª Feira Literária de Bonito (FLIB), onde compartilhou lembranças da infância, falou sobre o processo de criação de seus livros e da importância da literatura na formação de leitores.
Ao lembrar do início da relação com a escrita, Piana contou que a emoção provocada pelas canções foi o primeiro incentivo para colocar sentimentos no papel.
"Aquilo me comovia e mexia com alguma coisa dentro de mim. Eu sentia uma vontade muito grande de reproduzir, de alguma forma, o que aquelas músicas provocavam", recordou.
Os primeiros textos eram poemas dedicados aos pais e aos avós, escritos antes mesmo de ele entender que aquilo poderia ser chamado de poesia.
Mais tarde, ainda na escola, outro encontro ajudou a consolidar esse caminho: a leitura de O que os olhos não veem, de Ruth Rocha. Segundo o autor, a obra mostrou que era possível aproximar poesia e narrativa, característica que hoje também aparece em seus livros.

Durante a conversa, Leonardo falou ainda sobre Escalar Cansa, livro de poemas vencedor do Prêmio Sesc de Literatura. A obra nasceu de textos escritos ao longo de vários anos e que, até então, quase ninguém conhecia.
Além do reconhecimento, o prêmio abriu portas para que o escritor participasse de encontros literários em diferentes regiões do país.
"Para mim, isso é uma iniciativa real de democratização da literatura, ainda mais em um país tão desigual e que precisa formar leitores", destacou.
Memória virou romance
O bate-papo também passou por Sismógrafo, primeiro romance de Leonardo Piana, vencedor do Prêmio Cidade de Belo Horizonte e finalista de premiações como o Jabuti e o Prêmio São Paulo de Literatura.
No livro, um personagem revisita lembranças da juventude e percebe que a memória nem sempre guarda os fatos exatamente como aconteceram.
Segundo o autor, a ideia surgiu quando voltou à cidade onde nasceu para escrever parte da obra.
"Foi uma tentativa de encontrar um denominador comum entre a minha memória e a memória dessas pessoas, para que o livro não fosse só sobre mim, mas também falasse sobre elas e junto com elas", explicou.
Durante esse período, ele também fotografou a cidade com uma câmera analógica para tentar enxergar os lugares pelo olhar do protagonista. As imagens chegaram a integrar a primeira versão do romance, mas acabaram ficando de fora da edição final.
"Percebi que o livro já era muito imagético por si só e que, sem as fotografias, ele começou a respirar melhor. Uma das primeiras resenhas o definiu como um livro fotográfico sem imagens", contou.
Ao final do encontro, leitores conversaram com o escritor, compartilharam impressões sobre os livros e participaram de uma sessão de autógrafos.
Os direitos de Sismógrafo já foram vendidos para uma produtora mineira e a obra está em fase inicial de adaptação para o cinema.
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