Ministro alerta que falta de sinal pode impactar logística da Rota Bioceânica
Importadores devem cobrar monitoramento em tempo real das cargas; falta de cobertura em MS pode ser entrave
Apontada como uma das principais apostas logísticas para ampliar o comércio entre a América do Sul e os mercados asiáticos, a Rota Bioceânica deve enfrentar desafios além das obras e acordos aduaneiros. Um deles é a conectividade nos corredores logísticos de Mato Grosso do Sul, considerada essencial para garantir a rastreabilidade das cargas e atender exigências do mercado internacional.
RESUMO
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A avaliação é do ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores e um dos principais articuladores brasileiros do Corredor Bioceânico. Em entrevista nesta segunda-feira (25) após o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária – Rota Bioceânica, realizado em Campo Grande, ele afirmou que a infraestrutura digital passará a ser uma exigência para o funcionamento da rota.
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Segundo o diplomata, a ampliação do comércio internacional, especialmente no setor de carnes, exigirá monitoramento permanente das mercadorias durante todo o trajeto.
“Uma das exigências que qualquer importador de carne vai fazer para o produtor sul-mato-grossense: eu quero, obviamente, saber onde está a minha carne e se ela está em boas condições, se não houve nenhuma queda de temperatura, nenhum desvio de rota”, afirmou.
Parkinson destacou que a rastreabilidade deixou de ser apenas uma ferramenta logística e passou a integrar os protocolos de segurança e controle sanitário do comércio internacional.
“Ele precisa saber onde está a sua carga. Tem que ter a rastreabilidade e a rastreabilidade se faz através de um monitoramento em tempo real da carga”, acrescentou.

Hoje, esse acompanhamento ocorre por sistemas conectados à internet e telefonia móvel, permitindo localização contínua, controle de temperatura e monitoramento do percurso. O problema, segundo ele, é que parte dos corredores rodoviários estratégicos de Mato Grosso do Sul ainda apresenta baixa cobertura.
Como exemplo, o ministro citou o eixo entre Jardim e Porto Murtinho, município que será a porta de entrada brasileira da Rota Bioceânica. “Se você sai de Jardim e quer ir para Porto Murtinho, teu celular não pega. Vai pegar em Jardim, mas no trecho precisa melhorar”, disse.
A preocupação surge em um momento em que Mato Grosso do Sul se prepara para receber o aumento do fluxo logístico esperado com a conclusão da Ponte da Bioceânica e das obras rodoviárias em andamento no Paraguai.
Durante o fórum, Parkinson estimou que o corredor pode gerar um desvio comercial de cerca de US$ 2 bilhões por ano apenas entre Brasil e países sul-americanos, além de alterar rotas atualmente concentradas em pontos como São Borja (RS), Uruguaiana (RS) e Foz do Iguaçu (PR).
Segundo o ministro, projetos de infraestrutura digital já executados no Estado priorizaram áreas urbanas e órgãos públicos, mas ainda há lacunas nos trechos intermunicipais e rodoviários.
“A empresa chilena desenvolveu um programa que a Infovia implantou fibra ótica no Estado. Mas fez isso privilegiando os órgãos públicos, as cidades e as praças públicas. Não implantou nos trechos interurbanos”, afirmou.
Na avaliação dele, o Estado pode avançar em soluções para ampliar a cobertura e garantir o monitoramento ao longo do corredor. Também há possibilidade de participação da iniciativa privada, com serviços independentes de telecomunicações e rastreamento por satélite.
“Tem empresas que poderiam fornecer esse serviço. Você pode fazer rastreabilidade por satélite”, disse.
Ele citou inclusive sistemas como a Starlink como alternativa tecnológica para manter o acompanhamento das cargas em regiões sem cobertura convencional.
Apesar disso, alertou que a ausência de infraestrutura pública poderá elevar os custos do transporte, já que operadores privados precisariam contratar serviços adicionais para cumprir as exigências dos compradores internacionais.
“Vai exigir do transportador que ele contrate um serviço privado, porque uma empresa virá e vai dar rastreabilidade através de satélite”, afirmou.
Mesmo com esse cenário, Parkinson avalia que a questão não reduz a relevância estratégica da Rota Bioceânica, mas representa um desafio que precisa ser antecipado. “Só estou antecipando os problemas”, resumiu.


