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Lado Rural

Mercosul negocia com Canadá ampliar compra de potássio após guerra no Irã

Acordo busca garantir fertilizantes ao agro, via Pacífico e Rota Bioceânica até o Brasil

Por Anderson Viegas e Fernanda Palheta | 25/05/2026 11:53
Mercosul negocia com Canadá ampliar compra de potássio após guerra no Irã
3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária – Rota Bioceânica, realizado nesta segunda-feira (25), em Campo Grande (Foto: Osmar Veiga)

O Mercosul (Mercado Comum do Sul), bloco de integração econômica do qual o Brasil faz parte, está prestes a anunciar a conclusão de uma negociação com o Canadá para ampliar suas importações de potássio do país. O produto é um dos principais fertilizantes utilizados na produção agrícola, especialmente em culturas como cana-de-açúcar, soja e milho.

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O Mercosul está próximo de concluir um acordo com o Canadá para ampliar importações de potássio, fertilizante essencial para culturas como soja e cana-de-açúcar. A informação foi divulgada pelo ministro João Carlos Parkinson durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária, em Campo Grande. O acordo visa reduzir dependência de países como o Irã e deve ser anunciado até novembro, com operações previstas para 2027.

A negociação faz parte da estratégia do bloco para ampliar parcerias capazes de assegurar o abastecimento de insumos estratégicos e reduzir a dependência do fornecimento de países envolvidos em conflitos e disputas internacionais que afetem o comércio exterior, como o Irã.

A informação foi revelada pelo ministro João Carlos Parkinson de Castro, diplomata de carreira do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, durante o 3º Fórum Centro-Oeste de Segurança Rodoviária – Rota Bioceânica, realizado nesta segunda-feira (25), em Campo Grande.

“Hoje nossa preocupação é garantir abastecimento e destino. Estamos desenvolvendo uma estratégia comercial para reagir a tarifaços, como os aplicados pelos Estados Unidos em 2025, e também ao fechamento de estreitos, como o de Ormuz, por onde o Irã escoa sua produção, para evitar a falta de abastecimento de insumos estratégicos. O governo tem trabalhado arduamente para abrir novos mercados e reduzir essa dependência”, afirmou.

Parkinson destacou que o Canadá é o quarto maior produtor mundial de potássio e que o insumo é estratégico para o desenvolvimento da agricultura brasileira e sul-mato-grossense.

“Vimos que, com o fechamento do Estreito de Ormuz, perdemos o abastecimento do Irã e isso, obviamente, representou um grande constrangimento para os produtores brasileiros, que passaram a buscar alternativas. Com o acordo com o Mercosul, teremos uma alternativa de importação do potássio pelo Pacífico, chegando aos portos chilenos de Iquique e Antofagasta e utilizando a Rota Bioceânica para chegar ao Brasil. O corredor não é somente transporte. É segurança geopolítica”, ressaltou.

Parkinson projeta que o acordo entre Mercosul e Canadá possa ser concluído até o fim deste ano, o que abriria caminho para o início das importações já no próximo ano. Segundo o ministro, as negociações avançaram rapidamente em razão das barreiras tarifárias impostas pelo governo norte-americano, durante a gestão de Donald Trump, aos produtos canadenses.

“Avançamos muito rapidamente porque o Trump, nesse sentido, favoreceu o Brasil. Ao impor barreiras aos produtos canadenses fez o Canadá buscar novos parceiros. Ele se aproximou de nós e, obviamente, nós temos todo o interesse em ter um acordo de livre comércio com o país. Avançamos tremendamente neste ano e devemos anunciar isso rapidamente, talvez já na reunião do Paraguai, em junho, ou, no mais tardar, na próxima, em novembro”, disse.

Parkinson projeta que na prática, os insumos devem começar a chegar ao mercado brasileiro a partir de 2027. “Depois da definição do acordo vem a etapa de ratificação, mas esse processo costuma ser rápido. No segundo semestre de 2027 nós já poderemos estar operando com o acordo com o Canadá”, concluiu.