MPF encerra investigação sobre espionagem envolvendo a Eldorado Brasil
Sem provas cabais, inquérito sobre suposta invasão digital deve ser arquivado
O fim de uma das disputas empresariais mais longas do país teve mais um capítulo encerrado na semana passada. O MPF (Ministério Público Federal) pediu o arquivamento de uma investigação que apurava suposta espionagem relacionada à Eldorado Brasil, a fábrica de celulose em Três Lagoas (MS).
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O Ministério Público Federal pediu o arquivamento de investigação sobre suposta espionagem ligada à disputa pelo controle da Eldorado Brasil, fábrica de celulose em Três Lagoas (MS). O inquérito, aberto em 2019, apurava o hackeamento de sistemas para obtenção de 70 mil e-mails durante briga entre a J&F e a Paper Excellence. O MPF concluiu que as evidências digitais são falhas e não permitem acusação formal. O caso terminou em maio de 2025, com a J&F pagando US$ 2,64 bilhões para recomprar sua participação na empresa.
De acordo com reportagem da Folha de S. Paulo, a investigação sobre possível hackeamento de sistemas para obtenção indevida de aproximadamente 70 mil e-mails remonta a 2019, período em que a J&F, controlada pelos irmãos Joesley Batista e Wesley Batista, enfrentava a Paper Excellence, do empresário Jackson Wijaya, em uma disputa pelo controle da indústria em Mato Grosso do Sul.
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O inquérito se estendeu por quase sete anos, mas acabou sem acusação formal. O MPF entendeu que as evidências digitais reunidas ao longo da apuração não são confiáveis, apontando falhas na preservação e rastreabilidade dos dados desde o início das apurações.
Entre os problemas identificados, estão inconsistências nos códigos hash (espécie de identificação única usada para garantir a autenticidade de arquivos) em laudos produzidos tanto por uma empresa contratada pela J&F quanto pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. Essas divergências impediram a validação do material analisado.
O MPF também investigou uma possível invasão aos sistemas da empresa CTI NET Soluções em Conectividade e Informática, com sete investigados. Porém, outro ponto que comprometeu o caso foi a participação de representantes da própria J&F e de uma consultoria por ela indicada, a Ventura Enterprise Risk Management, durante intervenções da polícia.
Diante dessas fragilidades, o órgão concluiu que não há como prosseguir com o caso.
Em 2017, a J&F firmou acordo para vender uma fatia inicial de 49,41% da Eldorado à Paper Excellence, com previsão de transferência total posterior mediante cumprimento de cláusulas contratuais. As divergências começaram no ano seguinte, com acusações mútuas de descumprimento do acordo, o que levou a uma longa batalha judicial e arbitral.
Ao longo dos anos, o caso passou por diferentes instâncias e incluiu disputas no Brasil e no exterior, além de questionamentos sobre a legalidade da aquisição de terras por empresas estrangeiras. Em paralelo, surgiu a suspeita de acesso indevido a comunicações internas da J&F.
A confusão chegou ao fim apenas em maio de 2025, quando as partes firmaram um acordo definitivo: a J&F pagou US$ 2,64 bilhões para recomprar a participação que estava com a Paper Excellence, consolidando o controle integral da Eldorado.


